ACONTECE NA CIDADE: FRUIÇÕES EM PRAÇAS E PARQUES DO SALVADOR, RIO DE JANEIRO E Recife.
Alzilene Ferreira da Silva - UFRN, 2007 (10 fotografias)
A praça consiste em um cenário fértil de possibilidades de convivência urbana. Presente no imaginário dos citadinos ganha relevo como elemento urbano que marca singularmente a história na/da cidade em seus distintos e imbricados aspectos – sociais, políticos, estéticos e culturais. As transformações ocorridas nas praças ao longo dos tempos são frutos das mutações socioculturais, e esse processo guarda e revela um percurso de memória tecido por aqueles que fazem e fizeram a cidade a partir das experiências e vivencias sociais cotidianas. Ambiente dotado de símbolos, possui funções peculiares na cidade – comércio, lazer, feiras, festividades, eventos religiosos, políticos e esportivos - lugar do encontro e da sociabilidade.
XANGÔ EM NOTÍCIA – RECORTES DA PERSEGUIÇÃO – QUEBRA – 1912
Antônio Daniel Marinho Ribeiro - UFAL, 2007 (06 fotografias)
O Evento do “quebra” de 1912, foi caracterizado como um momento onde opositores políticos do então governador do Estado, Euclides Malta, denunciando a estreita ligação dele com algumas casas de Xangô da capital promoveram um dos ataques mais violentos contra a liberdade de culto naquele Estado. Uma das razões ideológicas essenciais que explicam esse momento particular da História de Alagoas é que foi respaldada a idéia de que a religiosidade de matriz africana estava ligada a criminalidade, prostituição e ao satanismo, quando não, tais práticas estavam associadas inteiramente à bruxaria voltada ao sucesso do Srº. Euclides malta. Portanto, o caráter ideológico deste episódio acabou desviando um provável caminho de abertura religiosa, abrindo então espaço a constituição de uma cultura da perseguição, centrada na satanização dos cultos a Xangô que, metamorfoseada, pode ser ainda observada na conjuntura contemporânea.
FOLGA!
Christiane Rocha Falcão - NEAB/UFS, 2006 (08 fotografias)
A contenda entre Lambe-Sujos e Caboclinhos configura-se na fala do líder do grupo dos negros, Seu Zé Rolinha, como um “teatro intensivo e a céu aberto”. Tendo como cenário a centenária arquitetura do município de Laranjeiras, a manifestação cultural retrata as buscas dos negros fugidos pelos índios, tendo esses segundos sido cooptados pelos senhores dos escravos para que se recuperem as perdas. Nesse contexto, ocorre o rapto da princesa dos caboclinhos pelos lambe-sujos. Ao fim de tudo, os lambe-sujo sempre são derrotados, mas o que mais conta em Laranjeiras é a celebração. O samba rege a alegria das pessoas dos dois grupos e dos visitantes e apreciadores da festa.
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO E POVO TRUKÁ –
Mobilizações Políticas, Identidade Étnica e Cidadania
Eliana Barros, PPGA/UFPE, 2007 (10 fotografias)
Este registro de imagens compõe uma das etapas das atividades de campo da pesquisa “Povo Truká e Rio São Francisco - Territorialidade, Movimento Indígena e Novas Perspectivas de Cidadania”, que está sendo realizada pela estudante, com o apoio do Programa de Bolsas da CAPES e busca divulgar algumas situações de mobilização política do povo Truká na representação do movimento indígena, nas comunicações com o Estado, frente às suas intervenções com os planos de implantação do “Projeto de Integração das Bacias do Rio São Francisco” ou o comumente chamado “Projeto de Transposição”. Do acampamento feito nos limites do eixo norte de construção do projeto, com a parceria de diversos segmentos dos movimentos sociais, surge mais uma retomada do povo Truká, que agora também luta pelo reconhecimento contínuo de suas terras tradicionais.
“O PREFEITO É LADRÃO... O JUIZ É CORNO... A PROMOTORA É PIRANHA”
A FESTA DE NOSSA SENHORA D’AJUDA DE CACHOEIRA/ BA
Fernando Araújo – CVA - FEAD-MG, 2006 (10 fotografias)
A madrugada do segundo domingo de novembro na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, é agitada por gritos. As autoridades são “elogiadas” aos berros num “escárnio popular” contra as pessoas influentes (Cacau Nascimento). É a abertura para o grande cortejo que vai invadir as ruas na festa de Nossa Senhora D’Ajuda. Festa de inversão como a carnavalesca, desta diferencia-se em vários aspectos. Se uma banda toca acelerada músicas que arrastam pelas ruas da cidade uma multidão entusiasmada, por outro lado, o aspecto religioso não se descola da festa: fiéis seguem o cortejo como se se tratasse de uma procissão religiosa em louvor de Nossa Senhora D’Ajuda. A festa centenária, modificada ao longo dos anos, ainda guarda a impressão do forte apelo popular. A faixa etária dos participantes estende-se da infância à terceira idade. Mascarados, caretas, mandus, fantasiados alegres seguem o cortejo pelas ladeiras afora. Na cidade com uma das maiores populações de negros do Brasil, originados principalmente do Benin, antigo Daomé, a festa é a afirmação da rua, do negro e sua criatividade.
"AVE, AVE, AVE MARIA" DIVINA E PASTORA:
O POVO RUMO A FÉ EM UM CAMINHO DE DIVERSIDADE
Fábio Alexandre UFS, 2006 (10 fotografias)
A Peregrinação, a Divina Pastora é uma jornada realizada por “devotos do catolicismo”, que acontece no mês de outubro, tendo como partida o município de Riachuelo, a 9 km de Divina Pastora. A devoção e peregrinação a santa Divina Pastora, iníciou no século XVIII, em Sevilha na Espanha. Contudo o culto a imagem chegou na região do contiguiba em 1782 atual município de Divina Pastora-SE.. Esse trabalho está fundamentado e tem como objetivo um estudo fotográfico sobre as pessoas, os elementos que a compõem, como também nos símbolos da religiosidade popular presentes na peregrinação. Baseando-se nas pesquisas e nos resultados obtidos, pode-se concluir que a peregrinaçao a Divina Pastora, ganhou proporções e elementos que desconfiguram o evento em relação aos dogmas inicialmente propostos.
“A GUERRA DE ESPADAS DE CRUZ DAS ALMAS”
HAROLDO ABRANTES DA SILVA – PPGA/UFBA, 2007 (10 FOTOGRAFIAS)
No São João de Cruz das Almas, município do interior baiano, acontece uma das mais tradicionais manifestações juninas da Bahia, a "guerra de espadas". Uma tradição feita com bambu, pólvora, barro e cordão, passada de pai para filho, netos e bisnetos. Além da satisfação e do risco de brincar com fogo, a tradição é alimentada também pelo lucro da venda das espadas. A prefeitura do município estima que 250 mil espadas foram comercializadas durante os festejos juninos -- o preço de cada artefato varia de R$ 30 a R$ 150, dependendo do tamanho e do volume de pólvora. Mesmo sendo este um forte motivo para a continuidade da tradição, é no bailar das espadas que está a verdadeira satisfação dos participantes. Os “guerreiros” armados com seus sabres de fogo reúnem-se, ao cair do dia, nas praças e ruas previamente preparadas para os duelos. Na festa conhecida como “guerra de espadas”, não há registro de brigas, é uma batalha pacífica, sem violência. A rivalidade fica por conta da qualidade das espadas e da coragem demonstradas ao lançar as espadas e ao persegui-las para devolvê-las ainda chispando fogo para o lado oposto.
O PROCESSO DA ROUPA RITUAL DO TORÉ
Jozelito Alves Arcanjo, NEPE/UFPE, 2006
O trabalho situa-se no campo da antropologia visual, com recorte na fotoetnografia em que o autor, através de um conjunto de vinte fotografias no tamanho 20 x 30cm executadas com câmera digital, descreve o processo de produção da roupa ritual do Toré entre os Pipipã de Kambixuru. O fotógrafo acompanha uma das mulheres, liderança no ritual, desde o momento em que esta inicia a coleta do caroá, passando pelas diversas etapas tais como: limpeza e o corte da fibra para retirar a fita, a dobradura da fita, sua imersão em um reservatório com água, a retirada e o amaciamento com um porrete de madeira para o posterior desfiamento, exposição e secagem ao sol e finalmente improvisação do tear nas varas da casa de taipa ou pau-a-pique para o trançado da roupa ritual, finalizando em uma saia ou saiote para ser usado durante o ritual do toré.
“O COCAR É NOSSA CASA. O PAUÍ NOSSO CORAÇÃO”: IMAGENS E IDENTIDADES INDÍGENAS.
Ana Laura Loureiro Ferreira, UFAL, 2006
As fotografias são dados etnográficos registrados em áreas indígenas situadas no estado de Alagoas. Registradas em diferentes contextos, foi feita uma seleção com o objetivo de demonstrar a interação entre pesquisador/ aquele que registra a imagem e o pesquisado/ aquele que se permite fotografar. Através da máquina fotográfica como instrumento metodológico, é desenvolvida uma interação na qual o objeto de estudo passa a ser também autor da imagem registrada, a partir do momento em que ele seleciona os elementos a serem fotografados e, portanto, perpetuados através da fotografia. Nos contextos de afirmações identitárias nos quais estes indígenas, com suas particularidades, estão inseridos, os símbolos identificadores de um ser índio podem ser destacados tanto nas fotografias em que estes aparecem com os cachimbos, como na de crianças com cocares e maracás, ou mesmo de pais colocando indumentária indígena em seus filhos. Os adultos, em várias ocasiões, preferiram ser fotografados com estes elementos, como também queriam que seus filhos demonstrassem uma indianidade através do registro imagético.
“AMASSAR ARGILA E PRODUZIR CERÂMICA É VENDER CULTURA” – UM ESTUDO DE CASO SOBRE A PRODUÇÃO CERAMISTA EM ICOARACI, BELÉM – PA.
Leandro Pinto Xavier – UFPI, 2006
O trabalho analisou a tradição ceramista e as mudanças na produção com base no estudo da cerâmica dos artesãos de Icoaraci. A análise teve como ponto de partida as ações do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Pará (SEBRAE/PA), do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e dos artesãos, que aplicam os conhecimentos adquiridos em cursos realizados pelas instituições. Constatou-se o surgimento de novos tipos cerâmicos, que se estabeleceram como tradicionais, alterando a organização da produção. Nesse sentido, a exposição tem por finalidade mostrar o detalhamento do processo produtivo da feitura da cerâmica, indo da extração da argila até a cerâmica pronta. Através das imagens, percebe-se o saber-fazer de cada trabalhador no cotidiano, dos barreirenses e dos artesãos na produção. Um informante afirma: “Aqui... a gente não vende cerâmica, a gente vende é cultura”. Logo, para os artesãos que absorvem o discurso dos objetos cerâmicos contemporâneos por meio de cursos e eventos, tudo o que se vende em Icoaraci é cultura. É por meio da cultura como um produto, que sofre a influência do desenvolvimento e atende às exigências do mercado, que a nova tradição tenta legitimar-se.
IMAGENS DO VELHO CHICO
Lidiane Maria Maciel, Universidade Federal de São Carlos, 2007
O projeto de intervenção, realizado de 2003 a 2007, intitulado Pesca Continental no Brasil: modo de vida e conservação sustentável fundamentou um acordo bilateral Brasil - Canadá financiado pela CIDA – Agência de Desenvolvimento Internacional do Canadá. Um projeto simultâneo e associado ao primeiro, intitulado Rumo à Co-gestão da pesca no Vale do Rio São Francisco e financiado pelo IDRC – Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento, realizou-se de 2004 a 2006. Um dos princípios que orientou a formulação das atividades foi à promoção da eqüidade de gênero. A área de abrangência dos dois projetos foi o Alto e Médio Rio São Francisco. Trabalhou-se com a população ribeirinha em especial pescadores artesanais de rio residentes nos municípios de Três Marias, São Gonçalo do Abaeté (Bairro do Beira Rio); Buritizeiro, Várzea da Palma (distrito de Barra do Guaicuí). Pirapora e Ibiaí. Em fevereiro de 2007 foi realizada uma pesquisa de avaliação dos projetos e o resultado deste trabalho ficou registrado através de entrevistas e fotografias.
CAPOEIRAS
Maíra Samara de Lima Freire, UFRN, 2007
Essa exposição foi realizada na comunidade quilombola de Capoeiras, localizada no município de Macaíba/RN, Brasil. A autora trabalhou na equipe responsável pela elaboração do relatório antropológico de delimitação do território da comunidade. As imagens foram produzidas num domingo em Capoeiras, em espaços diversos. Registramos um dia de sociabilidades aflorando: as mulheres fazem fila para recolher cestas básicas; as crianças pirulitos e pipocas; doados pela Caixa Econômica Federal, reunindo assim toda a população. Retrata o tempo peculiar, em que os homens jogam bozó enquanto seus pequenos dividem o espaço com brincadeiras. Buscamos com essas imagens, possibilitar uma troca intersubjetiva entre Capoeiras e o olhar da academia.
“QUE SÃO JOÃO BATISTA INTERCEDA POR NÓS!”: FÉ E FESTIVIDADE EM UMA COMUNIDADE RIBEIRINHA DA AMAZÔNIA.
Hélio Figueiredo Netto e Mônica Lizardo, UFPA, 2007
A comunidade ribeirinha situada às margens do igarapé de Periquitaquara, localizado na região das ilhas do entorno do município de Belém do Pará, a cada 24 de junho mescla seus diferentes tons de verde com o colorido dos mastros, bandeiras, sorrisos, brincadeiras: trata-se da Festividade do Glorioso São João Batista. No final da década de 90, após a morte de Maria Cachaça, tradicional organizadora da festa, o santo é dado ao Sr. Osmarino que, juntamente com sua família e amigos mantêm a tradição que a cada ano se amplia com novos elementos sendo agregados à sua prática. O presente trabalho resulta de pesquisa etnográfica realizada na comunidade no ano de 2007. Trata-se de um olhar que, através do ato fotográfico, possibilitou acesso a um universo de símbolos e relações sociais. Elementos como a “moderna coluna de som”, reveladora da presença da indispensável “aparelhagem” nas festas da região, alterna-se com o altar, o andor, com as brincadeiras infantis. Práticas culturais que transitam na liminaridade entre o sagrado e o profano. As imagens sugerem ainda que o rio e a floresta, muito além de exuberante e caprichoso cenário, apontam para uma realidade especifica que nos leva a pensar o significado de tais elementos no cotidiano e na construção de identidade desta população ribeirinha.
ENTRECRUZAMENTOS: história, magia e sociabilidade na Praça XV
Nádia Heusi, UCDB, 2007
A Praça XV de Novembro está encravada no centro histórico Florianópolis. O foco local remonta ao século XVII, quando foi construída a capela do povoado. O espaço já teve nomes diversos e feições bem distintas, conforme aos usos que foram feitos em cada época. Se agora a praça agrega uma diversidade de pessoas, houve momentos em que a segregação era evidente – por mais de 20 anos a praça ficou cercada por um gradil de ferro. Até mesmo um pelourinho para castigar os negros desobedientes existiu aí. Hoje um banco vago, um encontro, o carteado, a freguesia acolhem qualquer um. As fotos foram tomadas em câmera digital. Estive em dois dias de janeiro de 2007, cada qual com uma de minhas filhas, fazendo fotos como turista: posando próximo aos monumentos e belos recantos, buscando captar as pessoas. O olhar é o de alguém que quer entender a magia local, com função social única no espaço urbano ilhéu. A etnografia se enquadra à dinâmica desse espaço. Uma ação se desenvolve na praça mas o olhar guarda certa distância, assim como fazem as pessoas que compartilham lugares paralelamente, com fins diversos, delimitando comunidades maiores ou menores, fugazes ou mais prolongadas.
TRABALHO OU BRINCADEIRA? UM OLHAR SOBRE O COTIDIANO DAS CRIANÇAS DO SERTÃO DE MONTE SANTO.
Renata Cytryn Alves Nascimento - UFBA, 2005-2007
Este trabalho pretende, através do olhar foto-etnográfico, expor, interpretar e registrar a relação que as crianças do sertão de Monte Santo-BA estabelecem com o mundo do trabalho. Este ensaio fotográfico é um dos frutos da pesquisa "O Sertão dos Milagres", desenvolvida pelos professores Edwin Reesink e Mísia Reesink, desde 2004. As fotografias aqui expostatas foram tiradas entre os anos de 2005 e 2007, durante as diferentes viagens à campo, em que visitamos uma série de povoados da zona rural de Monte Santo. Nessas idas e vindas pelo sertão deste município, o trabalho rural despertou-me o interesse em suas múltiplas formas, e, nesse sentido, fez-me procurar compreender como o papel e o local das crianças, no universo sertanejo, estão relacionados ao mundo adulto. Assim, através da fotografia, pretendo revelar alguns aspectos da realidade social das crianças sertanejas, que para mim resultou numa descoberta surpreendente e significativa, principalmente, a relação lúdica destas crianças com o espaço do trabalho rural. A seleção das fotografias se concentrou em dois povoados, Lajinha e Jurema. O primeiro tem a característica de se situar na beira da estrada e perto da sede do município, podendo ser classificado como uma "comunidade rural branca". O povoado da Jurema fica em área mais afastada, podendo ser classificado como uma "comunidade rural negra". Nesse sentido, as imagens expostas se propõem a fazer um paralelo entre a realidade das crianças nesses dois grupos.
“EXPLORAÇÃO DO TRABALHO: UM ATO QUE PERPETUA NA CONTEMPORANEIDADE”
Silma Aparecida Ferreira e Fernando Emílio Pereira Wanderley- UFU, 2007
O ensaio tem o objetivo de mostrar um pouco das condições de trabalho em pleno século XXI. Para retratar esse universo de exploração e precarização do trabalho não foi preciso procurar muito, encontramos no sudeste goiano uma olaria que acabou se tornando a única opção para alguns jovens e pais de família vender sua força de trabalho, fazendo da produção de tijolos uma maneira de sobreviver e dar ao mesmo tempo alguma condição para seus filhos viverem. Constatamos que não há segurança alguma no trabalho, nem fiscalização, o ambiente é quase insuportável, um calor infernal por conta dos fornos que no seu interior chega a registrar temperaturas de até 900ºC, a poeira paira pelo ar o tempo todo, o que deixa o ambiente ainda mais insalubre. A intensidade do trabalho é frenética, pois os trabalhadores recebem por produção, o que os obriga a não parar e dar o máximo de si no trabalho, eles se livram de todo e qualquer acessório de proteção para terem mais liberdade de movimento, aumentando assim sua capacidade de produzir.
“UM OLHAR FOTOGRÁFICO SOBRE O QUILOMBO DE ITAMATATIUA”
Wesley Pereira Grijó – UFMA, 2007
O ensaio fotográfico mostra um pouco o cotidiano do quilombo de Itamatatiua, no município de Alcântara, no Maranhão. Pegando principalmente ações dos moradores, como idosos, crianças e adultos. A comunidade de Itamatatiua remonta à desagregação de uma antiga fazenda escravista da Ordem Carmelita, que em certo período histórico substituiu a força de trabalho indígena pela negra. As terras da comunidade possuem 55 mil hectares, com mais de 15 povoados que além do município de Alcântara abrange os município de Bequimão e Peri-Mirim. Atualmente, a comunidade tem cerca de 500 moradores, sendo que a maioria se intitula descendente de um casal de negros doados à Santa Tereza d’Ávila, no período do Brasil Colônia. Por conta disso, eles têm o sobrenome “De Jesus” como algo comum a quase todos. Vivem da agricultura tradicional e de subsistência, com o cultivo de arroz, mandioca e do milho. No que se refere à religião, os moradores de Itamatatiua são devotos da Santa Tereza, e dela se atribuem “filhos”, “descendentes”.
QUADRA FECHADA
Beto Novaes, UFRJ 2006 (26 minutos)
Ano da produção/ realização:
Roubos nas mediações da jornada de trabalho, na passagem e no preço da Cana colhida tem motivado freqüentes conflitos na zona canavieira. Na greve de Guariba os canavieiros negociaram com os patrões a determinação do preço da cana pelo sistema “campeão” no qual o preço da cana é calculado por uma amostragem da área da cana ser trabalhada. O vídeo apresenta esse sistema de controle e os desafios, bem como a intensificação do ritmo de trabalho, as inovações tecnológicas e as conseqüências para os trabalhadores da cana.
Mosaico de São Gabriel
Cristian Pio Ávila e Eddie Júnior – SEC/AM, 28´
O filme traz à tona discussões sobre os impactos do êxodo urbano nas culturas dos 23 povos indígenas do Alto Rio Negro e os planos para a salvaguarda do patrimônio imaterial desses grupos. Realizado em setembro de 2006, em São Gabriel da Cachoeira, noroeste do estado do Amazonas, durante o Festribal – Festival dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro, tenta captar através da polifonia étnico-cultural do município as diferentes tensões e visões dos seus habitantes sobre diversos temas – preconceito, transculturação, glotocídio, mitologia, entre outros.
Habeas Corpus
Debora Diniz - UNB, 20´
O documentário acompanha o sofrimento de Tatielle, uma jovem mulher de Morrinhos, interior de Goiás. Grávida de 5 meses de um feto que não sobreviveria ao parto, um habeas corpus apresentado por um padre que sequer a conhecia impediu Tatielle de interromper a gestação. Já sentindo as dores do parto, Tatielle foi mandada embora do hospital onde estava internada em Goiânia. De volta para Morrinhos, Tatielle agonizou cinco dias as dores de um parto proibido pela Religião e pela Justiça.
Transposição, Não!
Eliana Barros e Ernesto Teodósio, PPGA/UFPE, 14’
A luta pelos nossos direitos: à espera do Mecias
Gabriel O. Alvarez – UEA, 60´
O vídeo registra a luta dos Sateré-Mawé pelo reconhecimento dos seus direitos. As lutas dos anos 80 contra projetos de desenvolvimento, construção de estradas e exploração de petróleo, contrasta com as lutas políticas atuais, pela conquista da prefeitura do Município. Ao longo do filme, sob o pano de fundo da tradição, se analisa a luta política de lideranças não-tradicionais. O filme, realizado com uma metodologia participativa, fecha com as palavras do Tuxaua Geral dos Sateré-Mawé, que agrega seus comentários, depois de ter assistido aos clipes do filme.
PILÕES: JOVENS DA TERRA
Glauco Fernandes Machado e Fábio Ronaldo da Silva, PPGA/UFPE, 13´
Os jovens de assentamentos rurais, em Pilões na Paraíba, participam do trabalho agrícola em cooperação com seus pais e irmãos. As crianças são socializadas desde cedo, aprendendo as atividades do campo iniciando com pequenas tarefas. Existe uma divisão de trabalho entre pai, mãe, filhos e filhas, nas diversas realizações agrícolas: preparar o solo, plantar, limpar, colher e cuidar dos animais. As meninas também realizam algum trabalho doméstico. O cotidiano dos jovens começa às 6 horas da manhã, com as atividades na agricultura, as tardes são dedicadas à escola e a noite para o descanso, as atividades escolares e o lazer.
Terra Toré: territorialidade, religião e identidade
Jozelito Arcanjo, NEPE/UFPE, 2007, 40´
O Terra Toré, é um vídeo documentário que registra o movimento dos indígenas no Nordeste brasileiro, “o trabalho é dos índios”. Esse movimento tem uma especificidade que o distingue, ele é conduzido pelo ritual, pelos encantos, pelas forças da natureza, reúne, portanto: os pajés, os bacuraus, os juremeiros, as lideranças políticas, os caciques homens e mulheres. Trata-se de um movimento local, realizado pela primeira vez na terra indígena Pankará-PE, em preparação para o Abril Indígena/2007. O vídeo apresenta os indígenas expondo a situação de suas terras, os conflitos e embates que os povos indígenas no Nordeste têm enfrentado para garantir seus direitos. Destaca a importância da Serra Negra para os povos indígenas dessa região, a reação dos indígenas frente a imposição do Ibama para criar um conselho gestor e um plano de manejo sem considerar os aspectos históricos e simbólicos daquele espaço sagrado e lugar ritual para os indígenas e, a necessidade de uma urgente tomada de decisão política por parte dos gestores quanto a identificação, demarcação, homologação e registro da terra indígena Pipipã de forma continua, incluindo a Serra Negra de acordo com as narrativas e a história desse povo, cujas terras serão impactadas pela transposição das águas do São Francisco.
ENCONTRO DE QUILOMBOS
José Maurício Arruti (Koinonia / PUC-Rio), 2007, 28´
Três comunidades quilombolas do Rio de Janeiro participaram de um projeto pioneiro chamado "Etnodesenvolvimento quilombola" realizado pela Ong Koinonia Presença Ecumênica e Serviço, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. A iniciativa visa estimular essas comunidades a criarem projetos de desenvolvimento sustentável. Ao longo de 2006, ocorreram três encontros reunindo representantes destas três comunidades e também de outros remanescentes de quilombos do estado fluminense. O terceiro e último destes encontros foi acompanhado pela equipe da Sumaúma Documentários com o objetivo de produzir o videodocumentário "Encontro de Quilombos". O intuito deste trabalho é mostrar os principais desafios, lutas e conquistas destas comunidades remanescentes de quilombos através de suas próprias vozes, dando ao público uma visão real e contemporânea sobre a questão quilombola.
Ponta-de-Rama
Juliana Barreto – AVAL, UFAL, 2007, 18’
"Ponta-de-Rama" é um vídeo produzido a partir da análise do acervo de imagens do Laboratório de Antropologia visual em Alagoas/ AVAL, registrado durante pesquisa de campo entre as áreas indígenas em Alagoas. Esse vídeo descreve dados etnográficos sobre as etnias Katokinn, Koiupanka, Kalancó e Karuazú, localizadas nos municípios de Água Branca, Inhapi e Pariconha, no sertão alagoano. Sua argumentação tem como tema central as relações étnico identitárias desses povos, expressando representações através de uma delimitação: O xamanismo como propulsor de identidades indígenas no sertão alagoano.
JUREMA
Maoro da Rocha Pitta, U.Paris X, 16´
Em um bar próximo ao porto do Recife, quatro pessoas se encontram casualmente. Este encontro foi o ensejo para mostrar a expressão das múltiplas dimensões da vivência cotidiana nas metrópoles atuais brasileiras do ponto de vista sociológico: pobreza, prostituição, fome, relações ambíguas de amor e violência entre mãe e filha (que não fala); mas também antropológico: vivência do sagrado (do qual se fala em pé, com reverência) através do culto aos orixás e principalmente à Jurema. O percurso do filme trás surpresas através do horizonte sociológico das dimensões humanas.
A CASA DE DETENÇÃO DE ARACAJU
Márcio Adriano Correia Santos – UFS, 40´
O presente trabalho tem por finalidade fazer um reconhecimento da geografia social da Casa de Detenção de Aracaju, face sua desativação, para melhor entender as condições em que se encontrava o detento e dar uma visão sociológica sobre esse universo prisional.
MATARAM MEU GATO
ANA RIEPER E MARIA JOSE FREIRE – PPGA/UFF, 2005 15’
Mataram meu Gato aborda os processos de remoção e transferência de favelas através dos depoimentos de quem vivenciou essa política urbana para o Rio de Janeiro nos anos 60 e 70. Integrantes de uma escola de samba na comunidade de Nova Holanda, Favela da Maré, todos removidos de favelas localizadas em zonas "nobres" da cidade, contam suas histórias, apresentam suas versões e opiniões sobre o que foi e continua sendo uma alternativa apresentada pelo poder público para lidar com a questão urbana: o deslocamento da população pobre para áreas periféricas da cidade. A partir de material de arquivo – filme institucional, jornais e fotos – e de imagens do cotidiano de Nova Holanda, o filme contrapõe o discurso oficial da época ao testemunho dos moradores, buscando entender estas políticas em suas perspectivas pessoais e cotidianas. Procura-se recuperar nos depoimentos a memória de um processo que alterou de forma significativa a geografia da cidade, mas que é sistematicamente esquecido e apagado da história oficial do Rio de Janeiro. O filme é o resultado de três anos de trabalho de uma equipe interdisciplinar, formada também por pessoas da comunidade de Nova Holanda. O tempo longo da pesquisa de campo consistiu numa aposta da equipe na produção de um olhar de maior densidade sobre a comunidade, permitindo uma aproximação mais íntima aos seus pontos de vista e sensibilidades.
“ASSUMINDO MINHA RESPONSABILIDADE”
Ricardo Dantas Borges Salomão – MN, UFRJ, 24’
Em maio de 2003, na cidade de Olinda, Estado de Pernambuco, se realizou o “I Encontro de Povos Indígenas em Luta pelo Reconhecimento Étnico e Territorial”, possibilitando a troca de experiências entre representantes de 47 povos indígenas, que debateram sobre a recuperação de suas memórias e a reafirmação de suas identidades étnicas perante o estado brasileiro. A partir de entrevistas gravadas com lideranças indígenas durante o encontro, o vídeo procura refletir sobre a história e os processos atuais de etnogênese de povos localizados nas regiões nordeste, norte e centro-oeste do Brasil, destacando suas reivindicações por um tratamento étnico diferenciado.
Alto do Céu
Rita de Cácia Oenning da Silva, Kurt Shaw. PPGAS-UFSC, Grupo de Arte filmagem
CineFavela/Recife, 30’
IDENTIDADES E DIVERSIDADES CULTURAIS
Shirlei Mendes da Silva – UNIVATES, 2005, 13’
As imagens produzidas em Pelotas e Taquari, cidades de colonização portuguesa no Rio Grande do Sul mostram a existência de diferentes discursos em torno da temática sobre identidades e diversidades culturais. O foco do trabalho centra-se no processo de produção de uma identidade miscigenada, povoada por diferentes raças e etnias, o que faz do Brasil um território formado por muitos brasis. A idéia de miscigenação no Brasil é uma representação. A miscigenação é a coexistência em uma mesma cultura, de costumes, crenças, modos de vida provenientes de índios, africanos, europeus. Essa idéia é sempre atribuída a um valor positivo, ou seja, a miscigenação é entendida como aquilo que há de melhor no Brasil. O vídeo busca registrar a diversidade de coexistência, relacionada ao modo como os descendentes de portugueses atribuem outros sentidos, outros significados ao ser brasileiro. Em Pelotas, registra-se também a influência da descendência africana e ao mesmo tempo sua negação.
NGUNÉ ELÜ, O DIA EM QUE A LUA MENSTRUOU
Takumã e Maricá Kuikuro – Vídeo nas Aldeias, 28’
Durante uma oficina de vídeo na aldeia kuikuro, no Alto Xingu, ocorre um eclipse. De repente, tudo muda. Os animais se transformam. O sangue pinga do céu como chuva. Ó som das flautas sagradas atravessa a escuridão. Não há mais tempo a perder. É preciso cantar e dançar. É preciso acordar o mundo novamente. Os realizadores kuikuro contam o que aconteceu nesse dia, o dia em que a lua menstruou.
SERROTE DO GADO BRABO
Vânia Fialho, NEPE/UFPE, 2007, 8’
O vídeo compõe um conjunto de ações em apoio à regularização do território quilombola de Serrote do Gado Brabo, localizado no município de São Bento do Una, agreste pernambucano. Constitui uma série de quadros fotográficos realizados no contexto da pesquisa antropológica sobre essa comunidade, cuja história é marcada pelo cativeiro, pelos caminhos da resistência e pela força da identidade. As imagens retratam o ambiente, a paisagem, assim também como diferentes gerações vivenciando o trabalho e o lúdico no seu cotidiano.
| Informações: (79) 2107-8585 |