PROGRAMAÇÃO DAS MESAS REDONDAS
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DOS TRABALHOS COMPLETOS
MESA 1
NATUREZA, TERRITORIALIZAÇÃO E ETNICIDADE
Coordenador:
Renato Athias (NEPE/UFPE) - renato.athias@gmail.com
Participantes:
Vânia Fialho - UPE
Edmundo Pereira - UFRN
Mércia Batista - UFCG
Justificativa
Esta mesa redonda pretende desenvolver questões relacionadas aos paradigmas natureza e cultura enfatizando o discurso político das comunidades étnicas. Pretende prioritariamente discutir a relação que envolve as diversas concepções de natureza e suas dimensões na produção da cultura com p recorte da etnicidade. O entendimento sobre as questões dos recursos ambientais, notadamente relacionados aos aspectos da natureza orienta o caminho das expectativas das comunidades étnicas com relação ao seu desenvolvimento social e econômico. A “mãe natureza”, a “mãe terra” torna-se o eixo norteador nas principais reivindicações dessas comunidades. As diversas dimensões da terra e a transformação de um território buscam a uma análise mais ampla sobre a relação com a natureza e os processo de identidade étnica nos diversos momentos históricos. Uma análise da relação natureza e cultura entre os índios possibilitam hoje ter uma visão das possibilidades de futuro nas relações interétnicas que se formam a partir de processos de territorialização. Como as dimensões da natureza são construídas no discurso políticos das comunidades étnicas e sua relação com o estado e nos processo de busca de autonomia de políticas locais de desenvolvimento.
As interfaces das intervenções:
Renato Athias (Coordenação)
Na moderação do debate se procurará direcionar a uma discussão sobre as noções de cultura e Natureza que é parte importante do conflito político onde se situam e são elaboradas as identidades indígenas e negras no Nordeste. Em outras palavras, se trata situar as idéias de Cultura e Natureza nos diversos contextos sociais e como estas relacionam e com os processo identitários.
Vânia Fialho - Universidade de Pernambuco
A apresentação será a partir das experiências de elaboração laudos antropológicos em áreas indígenas e quilombolas com a finalidade de regularização fundiárias. Serão apresentados os modelos de produção de cultura e a discussão sobre a idéia de natureza e ambiente entre os índios e negros o nordeste.
Mércia Batista - Universidade Federal de Campinas Grande
A apresentação desenvolverá as temáticas da Identidade e da diversidade que aparentemente apontam para campos opostos: o que privilegiar o idêntico ou o diverso nos processos de elaboração cultural dos índios. A apresentação terá como pano de fundo os índios Truka de Pernambuco.
Edmundo Pereira - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
A partir da experiência de campo na Comunidade de Macambira: de "negros da Macambira" à Associação Quilombola, será discutido o processo de etnicização do grupo, em particular tendo como eixo a constituição de uma memória social - de fundação, família e território do - e tomando como situação social a produção de "relatório antropológico", esta entendida como produção dialógica de conhecimento.
MESA 2
Políticas e Ações Culturais
Coordenadora:
Maria Eunice Maciel (UFRGS)
Participantes:
Antonio Motta (UFPE)
Julie Cavignac (UFRN) cavignac@interjato.com.br
Jane Felipe Beltrão (UFPA)
Convidado Especial: (UFBA)
Resumo:
A Proposta visa promover um debate em torno de questões relacionadas às políticas culturais bem como à chamada “economia da cultura” e à “ação cultural” pois, hoje, proliferam diversas atividades às quais o antropólogo é chamado a participar e que se relacionam, muito genericamente, com a “cultura”. Trata-se, porém, de campo ambíguo, derivado do próprio entendimento do termo “cultura” pela sociedade em geral e mesmo pelas instituições “especializadas” no fazer cultural. Instituições estas que se apressam em criar setores e mesmo fundações destinadas ao tema (empresas privadas e estatais) aproveitando-se das leis de incentivo à Cultura tornando-se um espaço à atuação de antropólogo. Neste contexto, o antropólogo tem sido chamado para atuar em áreas nas quais ele não atuava anteriormente e o faz em interlocução com outras áreas do conhecimento num diálogo que nem sempre fácil. Enquanto, permanece longe das situações com as quais estaria mais familiarizado e, nas quais, o antropólogo executaria seu “métier” com pertinência, como na estruturação de políticas culturais. Urge inventariar as situações, discutir a pertinência das ações e pensar os significados destas, refletindo sobre “nós” e os “outros” no processo de inclusão/exclusão social que vivenciamos.
Promover um debate em torno de questões relacionadas às políticas culturais bem como à chamada “economia da cultura” e à “ação cultural”, pois, hoje, proliferam diversas atividades às quais o antropólogo é chamado a participar e que se relacionam, muito genericamente, com a “cultura”. Trata-se, porém, de campo ambíguo, derivado do próprio entendimento do termo “cultura” pela sociedade em geral e mesmo pelas instituições “especializadas” no fazer cultural. Instituições estas que se apressam em criar setores e mesmo fundações destinadas ao tema (empresas privadas e estatais) aproveitando-se das leis de incentivo à Cultura tornando-se um espaço à atuação de antropólogo. Neste contexto, o antropólogo tem sido chamado para atuar em áreas nas quais ele não atuava anteriormente e o faz em interlocução com outras áreas do conhecimento num diálogo que nem sempre fácil. Enquanto, permanece longe das situações com as quais estaria mais familiarizado e, nas quais, o antropólogo executaria seu “métier” com pertinência, como na estruturação de políticas culturais. Urge inventariar as situações, discutir a pertinência das ações e pensar os significados destas, refletindo sobre “nós” e os “outros” no processo de inclusão/exclusão social que vivenciamos.
MESA 3
Antropologia da Política: campo em expansão
Coordenador:
Ernesto Seidl (UFS) eseidl@terra.com.br
Participantes:
Marcos O. Bezerra (UFF/CNPq)
Antonádia M. Borges (UnB)
Igor G. Grill (UFMA)
A mesa tem por objetivo reunir pesquisadores com estudos voltados aos fenômenos da política a partir de um ângulo próprio ao campo da Antropologia para discutir algumas das contribuições trazidas pela Antropologia da Política. A idéia central é estruturar os debates em torno de dois eixos: um deles mais centrado em discussões sobre as redefinições das próprias Ciências Sociais em relação a seus objetos e, em especial, à renovação dos estudos da política proporcionada pela Antropologia e as novas e perspectivas de investigação abertas; e um segundo eixo, mais específico, dedicado às possibilidades de exploração dos recursos conceituais e metodológicos engendrados por essa área temática, a partir da apresentação de estudos empíricos recentes.
Conferência de Antonádia Monteiro Borges: Sobre vivos e mortos: estado e teoria antropológica na África do Sul contemporânea
A recusa de nossos anfitriões aos nossos enquadramentos é sempre um convite à transformação e expansão dos conceitos antropológicos. Na África do Sul contemporânea, a Antropologia da Política aprende com outras teorias que admitem a relação do Estado com vivos e com mortos, com espíritos e com coisas. O desafio teórico de pensarmos um Estado que governa e, por vezes, é também governado pelos mortos afasta-se sobremaneira das teorias que apregoavam ou (i) a inexistência do Estado nesses lugares, ou que (ii) interpretavam a atuação política desses grupos como formas transmutadas de outros tipos de socialidade - como parentesco, como magia ou como religião, por exemplo. Essa definição a priori de um Estado laico tornou-nos incapazes de enxergar os espíritos agindo, atuando sobre as pessoas e sobre próprio Estado. Essa lição, que se aplica tanto no Brasil como fora daqui, servirá de ponto de partida para fazer desta comunicação uma reflexão sobre as relações entre trabalho de campo, comparação e produção de conhecimento antropológico a respeito da vida política daqueles que nos recebem em nossas pesquisas.
Conferência de Marcos Otavio Bezerra: Um olhar antropológico sobre a política e a corrupção.
As divulgações recentes de investigações sobre irregularidades na administração pública têm alimentado o sentimento de descrédito e desconfiança em relação à política e aos políticos. Tendo esta conjuntura como referência, proponho nesta intervenção retomar a perspectiva que considera o fenômeno da corrupção como porta de entrada para a análise de uma das dimensões efetivas do funcionamento do Estado e da política, isto é, aquela que se distancia das normas e formulações oficiais. A idéia é explorar como este fenômeno pode tornar-se terreno fértil de estudo, uma via para se pensar questões como a definição de moralidades públicas, as exigências próprias do exercício do poder e modalidades de interação com o poder público.
Conferência de Igor Gastal Grill: Herança e memória na política: parentesco, redes e partidos.
A exposição apresentará reflexões que resultam de pesquisas empíricas concernentes à seleção e ao recrutamento das elites políticas no Rio Grande do Sul e no Maranhão. Serão analisadas as bases sociais e as estratégias em pauta na ativação do passado como recurso de “luta política”, assim como as invenções de “genealogias” a cargo de “famílias de políticos” e de protagonistas ligados por laços pessoais.
Conferência de Ernesto Seidl: Relações pessoais e carreiras institucionais militares e religiosas.
A comunicação terá por base discussões oriundas de pesquisas dedicadas ao exame do recrutamento e seleção de elites da Igreja e do Exército. O foco central repousará nas condições de realização de carreiras institucionais bem sucedidas e o peso do uso de recursos sociais oriundo de relações pessoais, acumulados e mobilizados de diversos modos, pelo grupo familiar, através de relações de amizade, compadrio, patronagem, clientelismo, entre outros. As modalidades e estratégias de acionamento desses recursos são apreendidas através do exame de trajetórias sociais e profissionais de militares e religiosos consagrados em suas respectivas esferas de atuação.
MESA 4
Regularizando Terras de Quilombo: construção de identidades, conhecimentos autorizados e políticas públicas
Coordenador:
Carlos Guilherme Octaviano do Valle (UFRN) - cgvalle@gmail.com.
Essa mesa redonda tem como objetivo refletir sobre questões diretamente associadas à regularização de terras de quilombo. Mais particularmente, a atividade buscará tanto convergir como comparar idéias e posições de antropólogos e agentes institucionais envolvidos com as atuais políticas públicas de territorialização quilombola, ainda que resguardando, ao mesmo tempo, seus diferentes pontos de vista e o alcance específico de suas práticas institucionais e profissionais. Considerando a posição já estabelecida, em termos normativos, do antropólogo nos processos de regularização das terras de quilombo, sua produção especializada baseia-se em critérios de autoridade intelectual, cujo alcance e autonomia estão referidos aos limites de suas atribuições, das expectativas que estão em jogo no processo de situação etnográfica bem como da configuração política que transcorre ao longo de todo processo de regularização. Deve-se considerar a heterogeneidade atual de posições e experiências de pesquisadores (antropólogos docentes de IES, antropólogos vinculados ao INCRA, pesquisadores autônomos, etc) no caso da grande variedade de demandas sociais de regularização das terras de quilombo, incluindo as que vêm sendo realizadas ultimamente em áreas urbanas brasileiras. Do mesmo modo, o tema da (re)construção identitária étnico-racial se impõe através dessas demandas sociais e consiste em um dos nódulos da política de identidades que se manifesta ao longo de todo o processo de regularização fundiária. Além disso, a necessidade de articulação do trabalho do antropólogo em equipes governamentais não impede a existência de tensões, descompassos e impasses entre todos os agentes envolvidos, o que enseja uma maior atenção acadêmica e institucional.
Componentes da Mesa Redonda por ordem de apresentação:
Rui Leandro da Silva Santos (Coordenador Geral de Regularização de Territórios Quilombolas, INCRA; Mestre em Antropologia Social, UFRGS). Título: “O INCRA e a política de regularização de territórios quilombolas: desafios e perspectivas”. Resumo: Apresentação das linhas gerais da política pública de regularização de terra de quilombo, considerando a atuação da agência governamental e do profissional em Antropologia na execução dessa política.
Carlos Guilherme Octaviano do Valle (UFRN; Doutor em Antropologia, Universidade de Londres). Título: “Dialogando com os Negros de Acauã ou Cunhã Velha: auto-análise de uma experiência como antropólogo”. Resumo: Será apresentada uma reflexão sobre a atuação profissional de um antropólogo no caso de regularização de uma terra de quilombo no Rio Grande do Norte.
Eliane Cantarino O´Dwyer (UFF; Doutora em Antropologia Social, Museu Nacional/UFRJ). Título: “Terras de quilombo: identidade étnica e os caminhos do reconhecimento”. Resumo: Discussão do tema da construção da identidade étnica e da etnicidade quilombola em termos dos processos políticos de regularização de suas terras.
José Augusto Laranjeira Sampaio (UNEB; Doutor em Antropologia; ANAI). Título: “Produção de relatórios antropológicos de terra de quilombo: desafios e perspectivas”. Resumo: Apresentação de um panorama da produção especializada de antropólogos no caso das terras de quilombo, partindo da experiência do palestrante como coordenador do GT Quilombo da Associação Brasileira de Antropologia.
MESA 5
ETNICIDADE, CULTURA MATERIAL E EXPOSIÇÕES ETNOGRÁFICAS
Coordenador:
Rodrigo de Azeredo Grünewald (UFCG) - gru@terra.com.br / grunewald@ufcg.edu.br
Através das materializações da cultura pode se compreender como os homens codificam parte de suas relações com o mundo e, assim, externam valores e significados embutidos em processos sociais. Ao longo da história, a evidência de objetos tem sido fundamental para se falar de encontros interculturais ou para se trazer às audiências metropolitanas provas da existência de distintas experiências de vida. Os objetos produzidos historicamente por grupos étnicos estão dinamicamente relacionados com a construção de suas identidades sociais, de modo que uma dimensão política da cultura material está conectada com a etnicidade desses grupos. O estabelecimento de um patrimônio cultural material nativo remete-nos, além disso, a processos (políticos) criativos de objetos que já promoveram a exigência da reformulação de pressupostos acerca da concepção das exposições etnográficas - as quais devem agora ter a precaução de contextualizar a produção dos objetos, notando que os mesmos procedem de coletividades que experimentam trocas culturais com outras sociedades e que são produzidos situacionalmente para diversos fins, inclusive para comercialização. A produção, mediação, negociação e apresentação desses objetos devem ser pensadas em seus vários aspectos sociais constituintes. Além disso, o papel dos museus para a legitimidade dessas etnicidades pode ser importante e, portanto, não só um exame da rede de atores sociais envolvidos na produção, circulação, recepção e apresentação dos objetos étnicos é fundamental para apreciação antropológica, como também a questão da política cultural que dá visibilidade aos atores culturais - quer pensados em termos étnicos ou através da produção dos artistas individuais. As estratégias das exposições são ainda importantes para reflexões em torno tanto da natureza e da dinâmica do pluralismo étnico, quanto dos fluxos e misturas culturais dentro de grupos étnicos e da relação entre a arte (ou cultura material) e a etnicidade desses grupos.
Expositores:
Trajes, sementes e relíquias: as taxonomias nativas e o lugar dos objetos no contexto de alguns povos indígenas do Nordeste brasileiro.
Wallace de Deus Barbosa
(IACS – UFF)
O processo de afirmação étnica dos povos indígenas no nordeste do Brasil, deflagrado a partir da década de 1980, culminou com o reconhecimento oficial de uma série de povos. Neste contexto, determinados grupos indígenas do sertão pernambucano investiram na retomada de práticas culturais tidas como “tradicionais”, como as danças e o artesanato. Esta produção cultural contemporânea, expressa por meio das indumentárias e dos objetos rituais concorreu para a configuração de uma ‘imagem índia’ a ser apresentada para a sociedade nacional. Neste mesmo movimento, se constituiu um extenso repertório de itens materiais e de práticas que se consagraram como elementos atestatórios da indianidade e contribuiu grandemente para o estabelecimento de um patrimônio cultural nativo. Este processo ensejou ainda a construção, afirmação e difusão de um sistema de objetos que tem colocado em xeque alguns pressupostos museológicos tradicionais e as formas mais usuais de se conceber as exposições e os museus etnográficos.
ANTIQUIDADES, SEGREDOS E BANDEIRAS: Dilemas atuais para os museus e os movimentos étnicos
João Pacheco de Oliveira
(Museu Nacional/UFRJ e DIPES/FUNDAJ)
Os museus tem tido um papel importante nos processos de formação nacional e de construção de identidades étnicas, re-elaborando imagens e representações com ampla repercussão social, em geral revestidas de uma elevada aceitação e legitimidade.
Para as coletividades portadoras de culturas que não apresentam fortes e conhecidos sinais diacríticos, os museus revestem-se igualmente de enorme interesse, ao mesmo tempo que trazem muito medo e desconfiança. As formas de vida e pensamento de cada uma dessas coletividades implica em viva e intensa troca com outras tradições culturais (indígenas, européias, afro-brasileiras, etc), não vindo a configurar estruturas rígidas, homogêneas, excludentes e auto-reprodutivas. Os ideais culturais, embora remetidos ao passado, não são unicamente consubstanciados no cotidiano atual das aldeias, nem resultam de exercícios mecânicos. A comunicação irá basear-se no processo de pesquisa e formação de coleções sobre os índios do nordeste destinada à exposição Os Primeiros Brasileiros (Recife, 2006), procurando apresentar as imagens e concepções pelas quais uma extensa rede de atores sociais (museólogos, historiadores, antropólogos, indigenistas e líderes indígenas) engendra doutrinas distintas (em certos aspectos antagônicas) para explicar o processo de criação de culturas por essas coletividades.
Tradições de arte em mudança em exposição
Nelson Graburn
Universidade da Califórnia em Berkeley (UCB)
P. A. Hearst Museum of Anthropology
Não se pode esperar que tradições de artes de povos étnicos minoritários tenham permanecido imutáveis através dos séculos. De fato, muitos povos perderam ou mudaram suas tradições materiais e recentemente muitos têm renovado seu patrimônio cultural através de revitalização étnica e do estímulo de demandas turísticas. Exposições devem, portanto, traçar e contextualizar as mudanças na cultura material, enfatizando agência e criatividade local. Velhos objetos podem ser mostrados (com exemplos materiais ou imagens) ao lado de modernos, ilustrando continuidades ou mudanças. Se possível, a lembrança das populações sobre essas mudanças deveria ser incluída no texto e na exposição narrativa. Exemplos serão esboçados a partir de uma exibição proposta das coleções do Alaska do Phoebe Hearst Museum of Anthropology in Berkeley.
MESA 6
PERFORMANCE, DRAMA E RITUAL – A FORMAÇÃO DE UM CAMPO E A EXPERIÊNCIA CONTEMPORÂNEA.
Coordenador:
Rubens Alves da Silva (UNIP/Brasília) - rrubensil@hotmail.com
Participantes:
Esther Jean Matteson Langdon (UFSC)
João Gabriel Lima Cruz Teixeira (UnB)
John Cowart Dawsey (USP)
Justificativa e objetivo.
Campos emergentes de estudo revelam deslocamentos produzidos nos substratos de sua própria formação. Em estudos de performance desenvolvidos nas ciências sociais, as categorias do drama e ritual surgem em tais substratos. Nesta proposta de MR pretende-se discutir o campo da performance nas ciências sociais tendo-se em vista as relações entre performance, drama e ritual.
Duas questões e suas respectivas premissas merecem destaque. Em primeiro lugar, chama atenção o descentramento desse universo de estudos. O conceito de performance adquire formas variadas, cambiantes e híbridas. Há algo de não resolvido neste conceito que resiste às tentativas de definições conclusivas ou delimitações disciplinares. O que dizer da variedade de abordagens, recortes e composições conceituais do campo?
A segunda questão surge como um desdobramento da primeira. Em se tratando de uma espécie de campo liminar – inter(e anti)-disciplinar – estudos de performance espelham a própria experiência do mundo contemporâneo. A fragmentação das relações. O ‘inacabamento’ das coisas. A dificuldade de significar o mundo. Seria o campo da performance, onde se espelha a fragmentação do mundo contemporâneo, também uma expressão da busca de significado? O que dizer desse empreendimento?
O objetivo desta proposta de mesa redonda é propiciar uma oportunidade para reflexão sobre um campo (ainda) emergente nas ciências sociais, com destaque às relações entre performance, drama e ritual. Propõe-se um diálogo entre pesquisadores que se inspiram nos trabalhos de Victor Turner, Richard Schechner, Erving Goffman, Dell Hymes, Richard Bauman, e Judith Butler, entre outros, para fins de explorar o caráter descentrado do campo e o modo como nele se espelha a experiência contemporânea. Dessa forma, procura-se dar continuidade às discussões que vem ganhando destaque no cenário brasileiro desde os anos de 1990 e, mais recentemente, em uma série de GTs e Mesas Redondas nos principais fóruns do país: ABANNE, 2003; ABRACE 2003 e 2005, ABA, 2004, 2006; e ANPOCS, 2005, 2006.
Relevância da proposta.
“Performance” entrou como um campo importante no cenário internacional há várias décadas (Bateson, Bauman, Geertz, Goffman, Schnecher, Singer, Tambiah, Turner, etc). No Brasil, os estudos de performance na antropologia cresceram significativamente a partir do início da década de 90, impulsionados em grande parte pelo retorno de pesquisadores de seus estágios de formação no exterior. Um reflexo deste crescimento está no surgimento de núcleos de pesquisa em universidades e na freqüência com que grupos de trabalho voltados para a discussão da relação entre rito, performance, arte, identidade, política e sociedade têm se formado em congressos, tendo todos como característica a interdisciplinaridade . Apesar de recorrente, entretanto, a noção de performance tem sido usada com diferentes significados. Para que seja possível um avanço epistemológico e a conseqüente consolidação dos estudos nesta área, observou-se a necessidade de implementação de uma discussão que considere os distintos marcos teórico-metodológicos que estão orientando suas respectivas pesquisas, no sentido de estabelecer uma maior clareza na conceituação da performance.
A importância do tema atual é verificada pelo número crescente de núcleos de pesquisa formados no campo. Só na antropologia, há núcleos consolidados na Universidade de Brasília, Unversidade Federal de Rio de Janeiro, Universidade Federal da Bahia, UNICAMP, e Universidade de São Paulo. Em outras universidades, pesquisadores vêm pesquisando sobre o tema, consolidando seus grupos. Outra indicador da importância do campo é o número de GT´s realizados em conferências nacionais e regionais nos últimos cinco anos. Podemos citar a realização dos GT´s na últimas Reuniões da ABANNE, RBA, RAM e ANPOCS.
Um dos componentes da Mesa está realizando uma pesquisa com apoio de CNPq para investigar as diferentes abordagens teórico-metodológicas da noção de performance nos estudos antropológicos brasileiros. Além de apontar a variedade de conceitos sendo utilizados neste campo interdisciplinar, a pesquisa indica que há ainda uma necessidade de um dialogo teórico e analítico. Em geral os Grupos de Trabalho tem sido mais caracterizados por apresentações de estudos de caso sem maiores discussões sobre os conceitos e métodos de análise. Assim, os conceitos de “performativo” e “performance” têm especificidades variadas, dependendo do pesquisador e como os emprega.
A proposta da mesa visa, sobretudo, dar continuidade e aprofundar o debate já iniciado sobre as perspectivas teórico-metodológicas que embasam as pesquisas brasileiras sobre performance. Para tanto, foram convidados para esta MR três pesquisadores, dois pioneiros na introdução da perspectiva da performance nas ciências sociais brasileira, e um terceiro que mais recentemente se destaca como referência importante da teoria da performance no Brasil.
Algumas das principais abordagens na área são: performance ritual, festas, danças, música e arte indígena (Amaral, 1998; Müller, 2000; Calvacante 1999; Silva, 2005); performance e oralidade (Langdon, 1996; 1999; Lima, 2003; Hartmann, 2000); performance e teatro (Dawsey, 1997; Teixeira, 1996; Bião, 1996); performance, política e identidade étnica (Peraino, 2001).
MESA 7
Diálogos interculturais de cultura popular
Coordenador/Debatedor:
Prof. Dr. Sérgio Ivan Gil Braga (UFAM);
Participantes:
Profa.Dra. Maria Paula de Abreu (Universidade de Coimbra – Portugal);
Prof. Dr. Ulisses Neves Rafael (UFS) - ulisses38@hotmail.com
Prof. Dr. Sérgio Ivan Gil Braga (UFAM)
Tema: Cultura popular em cidades Amazônicas (Manaus, Parintins e Manacapuru, Estado do Amazonas): entre a festa de rua e o espetáculo folclórico.
O estudo da cultura popular tem adquirido relevância em estudos antropológicos nas últimas décadas, com ênfase em processos sócio-culturais que tem como contraponto as cidades. Um conceito interessante para análise desses processos desponta com certo interesse na atualidade, o de patrimônio imaterial ou de bens culturais intangíveis. Temas como “conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades”, “celebrações, manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas”, “lugares”, como “mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas”, encontram-se não raro resumidos em eventos que freqüentemente assumem a conotação de folclóricos, na perspectiva de seus protagonistas, ao mesmo tempo que representam diferentes formas de apropriação da cidade originando inclusive novas formas de centralidade da cultura popular em meio urbano. Os eventos selecionados para exposição referentes ao Estado do Amazonas são os seguintes: Manacapuru (Festival de Cirandas e Festa de Santo Antônio da Terra Preta), Parintins (Festa de Nossa Senhora do Carmo, Festival Folclórico de Parintins) e Manaus (Festival Folclórico do Amazonas). Busca-se demonstrar, em última instância, a dinâmica de certas manifestações da cultura popular associadas ao fenômeno urbano amazônico.
Prof. Dra. Paula Abreu (Investigadora do Centro de Estudos Sociais – CES (FEUC)
Docente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra – FEUC
Tema: O Fado de Lisboa ou de como a cidade se encena na sua cultura popular
As cidades são espaços de muitos cruzamentos: sociais, económicos, políticos e culturais. Nesse caldo urbano forjam-se múltiplas expressões de cultura que ganham forma de um modo que poderíamos definir originalmente híbrido. As culturas urbanas distinguem-se exactamente por nascerem da intensidade dos contactos, das relações e das trocas sociais e culturais entre grupos. Em Portugal, o Fado é um dos exemplos mais interessantes do modo como uma expressão cultural popular se cria e reinventa no espaço urbano, assumindo um carácter híbrido. A sua transformação até aos nossos dias ilustra como as expressões de cultura popular urbana são apropriadas e redefinidas pelas tecnologias económicas, culturais e políticas que produzem a cultura urbana. E isso é tanto mais importante quando nos referimos a uma expressão cultural musical, definida não apenas pela sua dimensão material, mas sobretudo pelo seu carácter simbólico e, portanto, imaterial.
No contexto da comunicação que aqui apresento, proponho-me equacionar uma reflexão em torno dos modos de criação e produção das expressões culturais populares urbanas, analisando o exemplo do Fado de Lisboa, actualmente objecto de um processo que visa a sua consagração como património cultural (imaterial) da humanidade.
Prof. Dr. Ulisses Neves Rafael (Professor adjunto do Departamento de Ciências sociais de Universidade Federal de Sergipe)
Tema: Os processos de construção identitária nas cidades a partir de expressões culturais de tradição agrária
Nosso objetivo é discutir a construção de identidades nas cidades, a partir de processos de permutas e negociações envolvendo agentes sociais provenientes de outras áreas habitacionais do mesmo estado. Trata-se de debater o papel do migrante rural em contextos citadinos, cujo ambiente não impede a emergência de práticas culturais de tradição agrária.
Assim, nossa atenção estará voltada para os traços idiossincráticos de capitais brasileira de origem recente e que resultaram de projetos de planejamento modernos, mas que agregam em seu interior agentes, cujas práticas encontram-se atreladas ao passado rural dos seus agentes. Em Aracaju, especificamente, a presença desses agentes faz-se notar não apenas pelo conjunto de expressões culturais por eles desenvolvidas e que encontram no universo agrário sua referência fundamental, mas também pelo peso que o termo “tabaréu”, ocupa no cotidiano da cidade, sendo freqüentemente veiculada como forma de classificação depreciativa, daqueles que estão associados àquela procedência interiorana.
Para acompanharmos o papel que o tabaréu desempenha na moderna Aracaju, faz-se necessário deter-se sobre algumas expressões da cultura que se desenvolvem por intermédio da presença desse segmento e que nesta capital, atualiza o passado, remoto ou recente no campo, expresso, sobretudo nos festejos juninos.
MESA 8
Ensino de Antropologia no Norte e no Nordeste: raízes, contextos e perspectivas.
Coordenação:
Parry Scott (UFPE) scott@hotlink.com.br
Apresentações:
Carlos Caroso (UFBA)
Luciana Chianca (UFRN)
Heraldo Maués (UFPA)
Parry Scott (UFPE)
Debate:
Lea Freitas Perez, Coordenação da Comissão de Ensino da ABA e UFMG
Nesta mesa discute as experiências de inserção do ensino de antropologia em quatro contextos estaduais diferentes no Norte e no Nordeste com o objetivo de subsidiar uma discussão sobre as perspectivas atuais deste ensino. Na atualidade o emprego de conhecimento antropológico continua em expansão e diversificação e encontra novas
perspectivas para os contextos em que é ensinada. De acordo com a diversidade de experiências locais , ressaltam-se questões envolvendo as transformações históricas da inserção do ensino da antropologia nos cenários estaduais, o ensino de antropologia nos contextos acadêmicos, o ensino e capacitação antropológicos em contextos extra-acadêmicos, emprego da antropologia em movimentos e programas governamentais e não
governamentais, a antropologia no ensino médio, a antropologia no ensino público e privado, e a importância de intercambios e vínculos extra-regionais na qualidade e abrangência do ensino. A discussão centra nas perspectivas que estas condições traçam para a promoção atual do ensino de antropologia no Norte e no Nordeste.
MESA 9
PROCESSOS QUE DINAMIZAM O MUNDO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE
O Brasil pós-moderno e suas dinâmicas
Coordenação:
Danielle Perin Rocha Pitta (UFPE)
Participantes:
Arneide Cemin (UNIR)
Rosalira Oliveira (FUNDAJ)
Cláudia Leitão (CE)
Ruy Póvoas (UESC – BA)
Resumo:
Antropólogos e sociólogos atentos às dimensões simbólicas e míticas da vida social, têm elaborado teorias e métodos capazes de identificar dinâmicas subjacentes à vivência cotidiana. È o caso, por exemplo, de Gilbert Durand que vai propor a noção de “Trajeto antropológico”, ou de Michel Maffesoli que vai elaborar a de “centralidade subterrânea”. Esta Mesa propõe elaborar um painel destas dinâmicas levando em consideração: os diálogos estabelecidos entre diversas entidades míticas, a criação artística, as diversas formas de espiritualidade em ação no Norte/Nordeste do Brasil.
O “Projeto Cultura em Movimento - Secult Itinerante (2005-2006): 1001 histórias recolhidas no Ceará adentro e afora, pela Secretaria da Cultura do Ceará.
Cláudia Leitão
Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual do Ceará
Todos nós ouvimos histórias, todos nós teríamos histórias para contar. A narrativa constitui vocação primordial do homem, simbolizando sua astúcia de redesenhar o mundo, refazendo-o ao sabor dos seus sonhos e desejos mais recônditos. Ao descrevermos fatos ou episódios, iluminamos o vivido com as cores da imaginação. Quando definimos os caminhos de nossas narrativas nós o fazemos a partir das estruturas do imaginário. Através do “Projeto Cultura em Movimento: Secult Itinerante”, a Secretaria da Cultura do Ceará, durante dois anos, atravessou sertões, serras e praias, ouvindo e registrando relatos maravilhosos, capazes de nos fazer mergulhar em nossas origens, de nos fazer beber em nossas fontes primordiais, revisitando nossas ancestralidades. No chão batido dos terreiros, nas calçadas das pequenas cidades, nas feiras, bodegas, das selas dos cavalos, o tempo foi “paralisado" a serviço dos contadores de histórias. Todo povo tem suas “Mil e uma Noites”, afirma a escritora Ana Miranda. Tal qual as noites de Sheerazade com o rei Shahryar, nossas 1001 histórias recompõem mitos, reinventam e reencantam o mundo, ora com argúcia, ora com crueldade, ora com doçura os grandes traços de nossa humanidade. Essa artesania da comunicação, segundo Walter Benjamin, é marca maior do narrador, que dá sua forma à dor, à morte, aos medos e anseios, à vontade de Deus, à eternidade.
Ouvindo uma Terra que fala: dimensões espirituais da ecologia ou dimensões ecológicas da espiritualidade.
Rosalira dos Santos
Drª em Antropologia. Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
A crise ambiental é também uma crise espiritual e de valores que desafia nosso modelo de civilização. O debate ecológico coloca em discussão nossa concepção do mundo, de nós mesmos, e, sobretudo, nossa relação com a natureza. Para responder criativamente a essas questões, é necessária a reconstrução de um pensamento ético que não separe o ser humano dos outros seres e que incorpore a dimensão de uma Ordem superior ao homem, de acordo com a qual todos os seres vivos devam ser respeitados. Essa ética vem sendo delineada, através das reflexões de alguns intelectuais e também da atuação de determinados movimentos sociais. Dentre estes destacamos o Neopaganismo, um movimento religioso no qual a vinculação espiritual com a Terra constitui o cerne da vivencia espiritual. Essa ressacralização da Terra constitui, a meu ver, um elemento central de enfrentamento da crise ecológica. Afinal, a repressão ocidental aos pensamentos religiosos que consideram a natureza como sagrada foi um passo fundamental para o desenvolvimento da sociedade urbano-industrial. É exatamente esse modelo de sociedade que começa a ser posto em evidência e questionado por diferentes atores sociais, dentre os quais as diferentes tradições religiosas que se agrupam sob o termo Neopaganismo.
Do Engenho de Santana ao Ilê Axé Ijexá:trajeto de um terreiro
Ruy do Carmo Póvoas
A cidade de Ilhéus, na Bahia, tem quase a idade do Brasil. Ali se localizou um dos mais antigos engenhos de açúcar que se tem notícia, o Engenho de Santana, que se tornou conhecido de um restrito público especializado em História. Uma negra escrava que viveu naquele engenho passou sem ser notada pelos historiadores. Trata-se de Mejigã, que no Brasil foi batizada com o nome de Inês Maria. Oriunda da cidade de Ilexá, onde tinha sido sacerdotisa de Oxum, Mejigã iniciou uma luta subterrânea para que a religião de seu povo sobrevivesse em Ilhéus. Muitas décadas depois, em Itabuna, seus descendentes fundaram um terreiro de nação ijexá. Disso resultou um novo olhar na Região Sul da Bahia sobre a religião do candomblé e as relações de seus adeptos com a sociedade mais ampla.
Sexo, poder e violência homicida contra a mulher na Amazônia: práticas, imaginários e políticas públicas de Desenvolvimento e Direitos Humanos.
Arneide Bandeira Cemin
Departamento de Sociologia e Filosofia, curso de Ciências Sociais e do Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente da Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Pesquisadora do Centro de Estudos do Imaginário Social (CEI/UNIR)
Relações sociais violentas e redes de dominação. Enfocando a violência como questão social mundial, Tavares dos Santos (2002), esclarece que ela diz respeito aos aspectos macros e externos, mas também aos micro-processos internos que reorganizam a vida cotidiana. Argumenta que o fundamento da violência encontra-se inscrita em nossas formas de racionalidade e define a violência como procedimento racional arbitrário, exercício de relações sociais de violência, configurando redes de dominação que fundamentam relações baseadas no uso de força e coerção que causam dano ao outro.
Sexo e família em contextos de “cidadania dilacerada”. Propõe a noção de cidadania dilacerada como modo de evocação das rupturas provocadas pelos diversos dispositivos produtores de violência e que se considere a violência como fenômeno cultural e histórico que se exerce física e simbolicamente, requerendo conhecimento sobre o imaginário social: conteúdo simbólico que fundamenta e sustenta as relações sociais (Maffesoli:1987). Entre estas relações queremos destacar as relações de contrato sexual e conjugal cujo desfecho é o homicídio, procurando perceber os padrões e as dinâmicas cotidianas da violência visando subsídios para políticas públicas de Desenvolvimento e Direitos Humanos.
MESA 10
Olhares cruzados: etnografias da expressão artística na diáspora
Coordenação:
Ilka Boaventura Leite
Prof. Dra. Departamento de Antropologia - UFSC
Programa de Pós Graduação em Antropologia - PPGAS
Núcleo de Estudos de Identidades e Relações Interétnicas -NUER
A proposta de mesa-redonda Olhares Cruzados (ou Fronteiras Perdidas) constitui modos de conceber e dialogar com a pesquisa antropológica a partir do olhar de pesquisadores situados em seus trânsitos de lugares e de cruzamentos temáticos sobre a expressão artística. O foco dado à expressão artística aqui envolve narrativas, música e arte plástica no campo diverso e transnacional da diáspora, na perspectiva do “Atlântico Negro”. Esta mesa propõe reunir pesquisadores de diferentes instituições com alguma incursão de campo e diálogo na esfera internacional, tornando-se um encontro de experiências etnográficas situadas em vários terrenos entre Angola, Brasil, Chicago (EUA), Moçambique e Portugal, por exemplo. Além de uma perspectiva da análise situada em algumas referências da Teoria Pós-Colonial, com foco na expressão artística em sua relação com reflexões sobre identidades na contemporaneidade. A proposta desta mesa estabelece também algumas interfaces entre as diferentes pesquisas dos expositores no sentido de propor o diálogo e a reflexão sobre o fazer etnográfico e as referências à crítica da arte e da cultura.
Olhares de África: lugares e entre-lugares da arte na diáspora
Ilka Boaventura Leite
Prof. Dra. Departamento de Antropologia - UFSC
Programa de Pós Graduação em Antropologia - PPGAS
Núcleo de Estudos de Identidades e Relações Interétnicas -NUER
A Arte é um dos lugares de produção da vida cultural contemporânea que transforma a diferença dentro do discurso, para fazê-la compreensível para a ação e o pensamento (Marcus & Myers,1995). Assim, os/as artistas podem ser visto/as como uma espécie de mediadores/as entre diferentes discursos epistemológicos, linguagens estéticas e códigos visuais capazes de revelar uma parte significativa dos sujeitos contemporâneos e de seus mundos. Busco apreender e analisar aspectos relativos à produção de imagens e discursos sobre o que vem sendo concebido como “arte africana” em Portugal, Brasil e Moçambique, enquanto países inseridos em processos históricos correlacionados de construção de discursos sobre a nação.
A arte do Outro no Surrealismo
Els Lagrou
Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, PPGSA
(IFCS), Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O lugar da chamada "Arte primitiva" na apreciação estética do Ocidente sempre nos revelou mais sobre os anseios dos apreciadores do que sobre os valores dos criadores dos objetos classificados e coletados sob esta rubrica. Os Surrealistas foram colecionadores entusiasmados deste tipo de objetos e os tinham em alta estima. Visa-se aqui lançar um olhar sobre as possíveis diferenças entre o olhar do mainstream Modernista e do movimento surrealista sobre este Outro através dos seus artefatos.
Escritores angolanos, fronteiras perdidas e identidades contemporâneas.
Frank Marcon
Prof. de Antropologia, na UFS
GERTS – Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interetnicas
Jose Eduardo Agualusa, Pepetela e Onjaki sao escritores angolanos contemporâneos, que tem sua obra amplamente conhecida no espaço de língua portuguesa, principalmente entre Portugal, Angola e Brasil e fazem parte do escopo de minha analise sobre identidades contemporaneas pos-coloniais na perspectiva daquilo que um deles, Jose Eduardo Agualusa, tem em alguns de seus livros traduzido sob o conceito de “fronteiras perdidas”. Não apenas o que dizem os autores, mas também os personagens de seus romances possibilitam nosso dialogo com estratégias de identificação e diferenca num espaço que hora e o da nação, hora e o da esfera transnacional, como o da Comunidade dos Paises de Língua Portuguesa (CPLP), hora são referencias a africanidades.
Os sons do Atlântico Negro
Carlos Benedito Rodrigues da Silva
Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros-UFMA
Análise sobre processo de construção de identidade entre grupos negros na diáspora, refletindo sobre o reggae jamaicano que atravessa o Atlântico Negro e se espalha em várias regiões do mundo, adotando características diferenciadas. Concentro minhas análises em grupos negros de São Luis do Maranhão, entre os quais o reggae se alojou desde os anos setenta, interagindo com as culturas locais. Embora sendo considerado “estrangeiro” por alguns “defensores das tradições regionais”, o ritmo caribenho adquiriu ali, uma característica particular, pois mesmo sem compreender seu idioma, uma grande parcela da juventude negra das periferias o define como um importante elemento de afirmação de identidade.
MESA 11
Autonomias Indígenas Contemporâneas: Debates Interculturais
Coordenador:
Dr. Adolfo de Oliveira (Grupo de Pesquisa 'Questão Social e Assistência Social no Amazonas', UFAM) - joaodasilva99@gmail.com
Pretende-se trazer ao debate acadêmico a realidade das duas últimas décadas de relações entre povos Indígenas e Estado e sociedade civil no Brasil: as autonomias Indígenas e seus protagonistas, os povos e organizações Indígenas brasileiros. Se para o órgão indigenista federal 'autonomia Indígena' é um estado de coisas que não existe (e que talvez exista no futuro, por graciosa concessão do Estado), para os povos Indígenas brasileiros as autonomias Indígenas – entendidas como as formas contemporâneas de relacionamento com estado e sociedade civil, pautadas pelo protagonismo Indígena por meio da utilização de uma 'linguagem de direitos' como meio por excelência de interlocução com a sociedade englobante - são uma realidade presente em seu cotidiano nas duas últimas décadas. O debate centra - se nas formas de mediação do estado em vários diferentes países, contanto com profissinais Indígenas e acadêmicos, em busca de uma reflexão crítica centrada na prática Indígena contemporânea.
Palestrantes:
1) Prof. Dr. Luis Eugenio Campos Muñoz
Título: Autonomias Indígenas contemporâneas e estados nacionais: ações e reações
> > Resumo: Busca-se discutir, a partir de diferentes exemplos (Mixtecos do México; Mapuche do Chile) as formas contemporâneas de relacionamento entre povos Indígenas e estados nacionais na América Latina, com particular atenção para aspectos relativos à formação de consciências étnicas e sua relação com as respectivas formas de representação das consciências nacionais, bem como para com o caráter da reação do estado frente às autonomias Indígenas. Busca ainda analisar aspectos distintivos das distintas Indianidades do continente, em particular seu caráter estético e sua eficácia simbólica e política.
2) Patricia Christine Aqiimuk Paul , J.D
Título: Mediação jurídica e autonomias indígenas na América do Norte
Resumo: A partir da experiência de advogada e juíza indígena no estado de Washington, e de uma identidade esquimó de Alaska por parte da mãe a partir de uma longa experiência como advogada indígena e juiza indígena, examina-se as formas de mediação jurídica em relações intercomunitárias, intracomunitárias e com instâncias do Estado nos EUA. O trabalho compara situações indígenas na América do Norte e América do Sul.
3). Gersem Baniwa (doutorando do PPGAS, DAN, UnB)
Título: Autonomias indígenas no Alto Rio Negro e a mediação do PDPI: Estado e povos Indígenas na Amazônia
Resumo: Apresenta o papel das autonomias indígenas a partir da experiência de secretário de educação de São Gabriel da Cachoeira e coordenador do PDPI, examinando como a autonomia indígena se configura em níveis diferentes, desde a representação no MMA em nível nacional, na Secretaria de Educação em nível minicipal, e em nível de comunidade local, e como as conquistas frente ao Estado se traduzem a partir de um filtro cultural indígena, neste caso os povos indígenas do Alto Rio Negro e em nível de comunidade, na identidade baniwa.
MESA REDONDA ESPECIAL: Antropologia Sergipana
COMPONENTES DA MESA:
Profª MSC BEATRIZ GÓIS DANTAS
Profº MSC FERNANDO LINS DE CARVALHO
Prof.º MSC LUIZ ALBERTO DOS SANTOS
Profª MSC HÉLIA MARIA DE PAULA BARRETO
RESUMO:
Desde que começou a ser lecionada como disciplina obrigatória nos cursos de formação de professores de ensino médio nas áreas de Geografia e História, na antiga Faculdade Católica de Filosofia, nos idos de 1951, até os dias atuais, quando já se passaram mais de 15 anos da fundação do curso de Ciências Sociais, na atual Universidade Federal de Sergipe, muitas mudanças se verificaram nos rumos da Antropologia no Estado e muitos nomes se alternaram na promoção desse processo.
Estudiosos como Felte Bezerra, Garcia Moreno e Lucilo Costa Pinto, mesmo sem a formação específica em Antropologia, já que procediam de cursos como Medicina e Odontologia, muito contribuíram, através do ensino de matérias como Antropologia Física e Etnologia para a difusão da disciplina entre os estudantes, alguns dos quais, mais tarde se alternariam no exercício da docência dessas mesmas disciplinas. Entre os nomes da geração seguinte. Destaca-se o nome da professora Josefina Leite, cuja atuação, ainda na Faculdade Católica de Filosofia, garantiu a continuidade do ensino daquelas matérias, agora acrescidas de curtas incursões ao campo, despertando também nos futuros geógrafos e historiadores o interesse pela investigação antropológica.
| Informações: (79) 2107-8585 |