GRUPO DE TRABALHO 001
POPULAÇÕES TRADICIONAIS NO NORDESTE E LESTE:
ORGANIZAÇÃO SOCIAL, ECONOMIA, ECOLOGIA
Coordenadores:
Peter Schröder (PPGA/UFPE) - pschroder@uol.com.br
Rodrigo Grünewald (PPGCS/UFCG)
Desde a década de 90, uma série de mudanças na legislação federal afetou o que é definido como populações tradicionais, seus direitos específicos (especialmente territoriais) e suas relações com as estruturas governamentais. O leque de definições foi ampliado consideravelmente, de modo que hoje em dia o conceito de população tradicional não inclui apenas grupos associados com idéias conservadoras de "tradição", como alguns povos indígenas e comunidades quilombolas, mas o próprio conceito de tradicionalidade implicado sofreu modificações. Os estudos sobre estas populações até agora têm focalizado majoritariamente aspectos de identidade (étnica e não), religião e ritual, enquanto questões de organização social e econômica e as relações dessas populações com o meio ambiente natural foram pouco pesquisadas, embora uma parte dos grupos considerados seja definida por atividades econômicas. O objetivo deste GT é dar estímulos a novos rumos nas pesquisas sobre populações tradicionais no Nordeste e Leste, regiões onde os chamados sinais diacríticos da diferenciação social e cultural sofreram profundas modificações e resignificações, e levar a reflexões aprofundadas sobre o conceito de tradicionalidade em jogo.
GRUPO DE TRABALHO 002
Juventude, cotidiano e subjetividade
Coordenadores:
Prof. Drª Andrea Osorio (UNISUAM);
Prof. Drº Rodrigo Rosistolato (FE/UFRJ) - rosistolato@yahoo.com.br;
RESUMO: A juventude tem sido pensada nas ciências sociais a partir da intersecção entre dois grandes temas clássicos: geração e classe social. Metodologicamente, enfatiza-se a impossibilidade de pensar a juventude no singular e a importância da comparação para a construção do conhecimento sobre os jovens. Existe consenso quanto aos, aparentemente contraditórios, conjuntos de sentidos relacionados aos jovens: eles são socialmente classificados como "problema social" e projeção societária de futuro. A análise destas representações permite mapear os significados sociais de ser jovem e indica possíveis dilemas da experiência juvenil. Este GT pretende discutir as tensões entre as expectativas sociais e a experimentação subjetiva da juvenilidade a partir da análise do cotidiano dos jovens. Serão priorizados trabalhos teóricos e empíricos sobre identidade, sexualidade, subjetividade, emoções, visão de mundo e estilos de vida.
GRUPO DE TRABALHO 003
MEMÓRIA, PATRIMÔNIO, CULTURA E PODER, NA SOCIEDADE DO ESQUECIMENTO
Coordenadores:
Prof. Dr. Bartolomeu (Tito) Figueirôa de Medeiros - bartotito@uol.com.br
Profa. Dra. Olga Moraes Von Simson
Ementa:
Abrangência do GT: questões e novas leituras ligadas à Memória, ao Patrimônio Cultural, às Relações de Poder imbricadas numa e noutro, por exemplo: nas políticas de preservação da memória, dos registros do Patrimônio Imaterial, dos tombamentos do Patrimônio Construído, nas reivindicações da salvaguarda do Patrimônio Étnico e Ambiental, incluindo as representações, convergências e divergências de pontos de vista e das políticas existentes no Brasil e em países da América Hispânica Equatorial hoje, em relação a estas temáticas.
Justificativas:
No Brasil de hoje vive-se um momento novo no campo da Memória e do Patrimônio, a partir da assinatura, pelo governo brasileiro, de diversos protocolos internacionais de preservação dos vários tipos de Patrimônio, listados acima. Por outro lado, a importância deste momento provém, igualmente, do impulso atual, tanto da sociedade civil, como dos governos, pela tomada de consciência da necessidade de preservação e da posta em prática de políticas públicas, visando a levantamentos, inventários, registros, revisões de políticas de tombamentos, salvaguardas e demais medidas daí decorrentes. Tudo isso interessa amplamente e de modo diferenciado, como objeto de estudo e de questionamentos, a antropólogos, arqueólogos, arte-educadores, ambientalistas, historiadores arquitetos e planejadores urbanos.
A discussão sobre o papel dos antropólogos nas pesquisas e inventários do Patrimônio Imaterial e Étnico se intensificou recentemente no Brasil. Em países vizinhos nossos, de intensa participação indígena na sociedade – como a Bolívia – a discussão avançou nas questões ligadas ao Patrimônio Étnico e Cultural, à preservação das memórias, visando ao incremento das reavaliações das construções identitárias destes povos, de sua autonomia específica nas relações com o estado-nação no qual estão inseridos e dos direitos de propriedade e de guarda dos seus bens culturais de raiz.
Assim sendo, propomos este GT que vai reunir contribuições de pesquisadores que trabalham com Memória, focalizada em suas diversas instâncias: História Oral, Museus, Coleções, Inventários de Referências Culturais, Tombamentos, Lugares, Formas de Expressão, Edificações, Saberes Tradicionais e Objetos.
GRUPO DE TRABALHO 004
Sexualidades, Cultura e Identidade
Coordenadores:
Prof. Dr. Fabiano Gontijo (Departamento de Ciências Sociais, UFPI) - fgontijo@hotmail.com / fabiano.gontijo@pq.cnpq.br
Profa. Dra. Berenice Bento (NESPRON/CEAM, UnB) - berenice_bento@yahoo.com.br
Resumo: Este grupo de trabalho tem como objetivo reunir pesquisadores/as, principalmente os do Nordeste e do Norte, que estejam desenvolvendo reflexões acerca das sexualidades, das identidades de gênero, da orientação sexual e das culturas sexuais. Os trabalhos apresentados poderão discutir masculinidades, feminilidades e representações de gênero; direitos sexuais e direitos humanos; mídia e estereótipos; ativismo e militância; produção literária e (homo)cultura; raça; gerações, juventude e envelhecimento; culturas homossexuais; preconceito e discriminação; violência; identidades e sociabilidades transgêneros; corpo e corporeidade; sexualidades urbanas; contestação e movimentos sociais; construção discursiva; questões ético-metodológicas e pesquisa; teoria queer; homoerotismo; emancipação sexual.
GRUPO DE TRABALHO 005
Antropologia da pesca no Norte e no Nordeste: balanços e perspectivas
Coordenadores:
Profa. Dra. Francisca de Souza Miller (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) - miller@ufrnet.br
Prof. Dr. Andrea Ciacchi (Universidade Federal da Paraíba) - andreaciacchi@uol.com.br
Resumo: Este GT tem por objetivo reunir os pesquisadores que desenvolvem estudos e pesquisas em e/ou com sociedades e comunidades de pescadores (marinhos, estuarinos, fluviais ou lacustres) e/ou sobre temas que envolvem essa atividade econômica e as relações que ela estabelece com outras esferas da vida social e cultural: sustentabilidade, meio ambiente, políticas de preservação sócio-ambiental e de desenvolvimento, conhecimentos tradicionais, conflitos e formas de mobilização, cultura material e imaterial, religião, memória, etc. Desejamos, também, estabelecer vínculos entre pesquisadores que se têm dedicado a estudar os mais variados aspectos de um panorama que, nas nossas regiões, vem recebendo uma atenção intermitente por parte das ciências sociais, ao passo que alguns setores das ciências naturais (biologia, oceanografia, ecologia) se voltam para as sociedades da pesca com fortes motivações de conhecimento. Assim, gostaríamos de medir o estado da arte dos estudos antropológicos nesse setor e traçar novas perspectivas de estudo interinstitucional e interdisciplinar. Temos certeza de que os estudos sociais sobre os pescadores brasileiros precisam de uma vigorosa retomada, capaz de renová-los e de consolidar os resultados já alcançados.
GRUPO DE TRABALHO 006
Patrimônio Cultural, Identidade e Desenvolvimento Regional
Coordenadores:
Profa. Dra. Arlete Assumpção Monteiro (UPM, PUC-SP e CMU) - arlete.as@gmail.com
Profa. Dra. Marilda Checcucci Gonçalves da Silva (FURB/Blumenau/Santa Catarina
Centro de Memória Unicamp) - marildacheccucci@furb.br
Objetivo:
Discutir o Patrimônio Cultural – material e imaterial - e suas relações com a identidade e o desenvolvimento regional.
Ementa:
Prioriza reflexões sobre a metodologia de pesquisa para os estudos sobre o Patrimônio Cultural. Valoriza os movimentos migratórios nacionais e transnacionais em relação à constituição dos patrimônios culturais. Relaciona Patrimônio Cultural e Desenvolvimento Regional. Enfatiza a importância da educação na preservação do patrimônio e na formação da identidade.
Debatedor
O GT indicará um debatedor para comentar as comunicações.
Total de sessões: de acordo com as inscrições.
GRUPO DE TRABALHO 007
Pela lente do informal: Abordagens etnográficas de mercados, práticas comerciais e transformações urbanas.
Coordenadores:
Fernando Rabossi (MN/UFRJ) - rabossi@rocketmail.com
Lenin Pires (PPGA/UFF)
Estaremos recebendo propostas de comunicações sobre práticas que se desenvolvem no chamado mercado informal. Interessa-nos utilizar o conceito como ferramenta heurística para abordar uma serie de fenômenos que colocam em questionamento a estreita relação entre regras e práticas econômicas, permitindo colocar em foco distintas formas de produção, circulação e apropriação de bens que tangenciam o ideal estatal de regulação dessas atividades. Nosso objetivo é abrir um espaço para apresentar e discutir aspectos que a rubrica informal permite enxergar, como as formas de operação dessas atividades e seus processos de institucionalização; os mecanismos de circulação e comercialização de mercadorias e serviços; os processos de espacialização das atividades; a sociabilidade baseada em relações de confiança e de favores; os múltiplos discursos morais predominantes, assim como os processos de legitimação e impugnação das atividades realizadas, entre outros. Interessa-nos produzir uma abordagem etnográficamente informada, alternativa àquelas que meramente opõem categorias de legalidade e ilegalidade.
GRUPO DE TRABALHO 008
Imaginário e ciência: experiências etnográficas contemporâneas
Coordenadores:
Dra. Ednalva Maciel Neves (UFMA) - edmneves@terra.com.br
Dr. Flávio Leonel Abreu da Silveira (UFPA) - flavio.leonel@terra.com.br
A Antropologia contemporânea tem se destacado pelo seu interesse por novos campos de pesquisa, relacionados às dinâmicas e complexidades das expressões técnico-culturais e dos imaginários biotecnológicos. Neste sentido, tais pesquisas apontam para estratégias metodológicas diferenciadas quanto ao exercício etnográfico, seja devido ao locus da pesquisa ou, mesmo, pelas especificidades dos objetos com os quais os antropólogos cada vez mais se deparam na sua vivência em campo. Esta perspectiva de uma antropologia reflexiva voltada para as questões de ciência e do contemporâneo, envolvendo as relações de pesquisa consideradas relações de conhecimento, demonstra a necessidade de um arcabouço teórico-conceitual ampliado, ao mesmo tempo evidencia o fato de que certas fronteiras disciplinares estão sendo abaladas. Portanto, a intenção deste GT é, justamente, de discutir os processos reflexivos oriundos das experiências etnográficas sobre o ethos da ciência, entendido aqui, como um sistema de valores, e relações de conhecimento.
GRUPO DE TRABALHO 009
Etnobiografia, Narrações e Subjetividade
Coordenadores:
Marco Antônio Teixeira Gonçalves (IFCS/UFRJ) - marco@ifcs.ufrj.br
Roberto Marques (URCA)
A problematização dos conceitos de individuo e sociedade pela Antropologia tem procurado dar conta das relações entre razão cultural, construção de personagens etnográficos e sujeitos subjetivados. Esta tensão entre biografia e etnografia, a que chamaremos etnobiografia, tenta refletir a partir de experiências individuais de cada um dos atores ancorados em suas percepções culturais, pensando-os a partir de sua potência de individuação, enquanto manifestação criativa. Os mundos sócio-culturais, assim como os trabalhos artísticos, só poderiam ser produzidos pelos indivíduos que fazem parte deste mundo, com sua imaginação pessoal sempre situada. A aposta na individuação possibilitaria um afastamento de uma determinada concepção sociológica de sociedade, pensando as fronteiras entre personagens e pessoas reais como algo tênue, em que as narrativas, sejam elas sobre o mundo ou em primeira pessoa, são construídas a partir das representações de alguém situado num intricado complexo de relações pessoais e públicas.
GRUPO DE TRABALHO 010
Povos Tradicionais: perspectivas atuais
Coordenadores:
Raymundo Heraldo Maués (Prof. Dr. UFPA) - hmaues@uol.com.br
Raquel Wiggers (Profa. Dra. UFAM)
A proposta do GT “Povos Tradicionais: perspectivas atuais” é promover a discussão entre pesquisadores que se dedicam ao estudo de Povos Tradicionais, promovendo o debate em torno de questões relativas à formulação do conceito, que surge principalmente da necessidade de se definir grupos sociais culturalmente diferentes, que se caracterizam por se apossar da terra e dos recursos naturais de forma cultural e historicamente específica. Faz-se importante trazer para o debate: as possibilidades de configurações da noção de tradicional, territorialidade, povos e grupos sociais considerados tradicionais, uso de recursos naturais e manejo coletivo da natureza, unidades de mobilização e reivindicações políticas.
GRUPO DE TRABALHO 011
Miradas Recentes sobre o Ecoturismo: questões de territorialidade, identidade e conservação ambiental.
Coordenadores:
David Ivan Rezende Fleischer (University at Albany – SUNY)
Rodrigo Paranhos Faleiro (UnB) - rodrigoparanhosfaleiro@yahoo.com.br
Nos últimos 10 anos, vêm-se desenvolvendo projetos de ecoturismo no Brasil e em outros países latino-americanos como meio de geração de renda, uso controlado de recursos naturais e preservação de valores e tecnologias tradicionais. Muitas dessas iniciativas estão sendo desenvolvidas em conjunto com projetos de conservação ambiental dentro e fora de unidades de conservação, e em conjunto com populações indígenas, quilombolas e tradicionais. Inclusive, posicionamentos mais teleológicos a respeito da preservação da cultura tradicional e da natureza, passaram a ser confrontados por argumentos contemporâneos apoiados na sedução dos benefícios advindos do crescimento econômico. Este grupo de trabalho pretende refletir sobre o ecoturismo a) em áreas territorialmente definidas (e.g., como terras indígenas, terras de quilombo e unidades de conservação); b) suas possíveis combinações com projetos de conservação ambiental, saberes tradicionais e usufruto econômico; c) e interfaces entre interesses de diferentes atores e instituições (e.g. comunidades, ONGs, prefeituras, ministérios, universidades, agências internacionais etc.).
GRUPO DE TRABALHO 012
Práticas e saberes indígenas: novas configurações sociais
Coordenadores:
Dra. Rita Neves (UPE/Petrolina) - rcmneves@yahoo.com.br
Prof. Dr. Edmundo Pereira (UFRN)
Dra. Vânia Fialho (NEPE/UFPE) (Debatedora) - vrfps@yahoo.com.br
As demandas da sociedade contemporânea caminham no sentido de estabelecer políticas afeitas às diversidades e às várias formas de entendimento. Partindo desta afirmativa, a proposta deste GT é discutir a mobilização indígena nos últimos anos em torno das estratégias de sistematização de seus saberes e práticas, responsáveis por produzir novas configurações sociais. Esses espaços têm se configurado como um lócus importante para que os direitos indígenas sejam reconhecidos e garantidos e têm contemplado uma significativa gama de temáticas como a educação, a saúde, os projetos econômicos, o esporte, os rituais, a estética, entre outros. Além da preocupação com a mobilização indígena, trata-se de considerar as diferentes lógicas envolvidas e visualizar as formas encontradas por essas populações para a sistematização desses saberes.
GRUPO DE TRABALHO 013
Itinerários Intelectuais, Trajetórias de Vida, Imagem e Imaginário.
Coordenadores:
Profa. Dra. Tânia Elias Magno da Silva
Dra. Em Ciências Sociais pela PUC/SP – concentração em Antropologia, professora do mestrado em Sociologia da UFS. Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Itinerários intelectuais, imagem e sociedade - taniamagno@uol.com.br
Prof. Dr. Luiz Carlos Rondini, professor de antropologia da Pontíficia
Universidade Católica de São Paulo.PUC/SP
Prof. Dr. Antônio Spinelli , professor da UFRN, vinculado ao departamento de Ciências Sociais, editor da Revista Cronos. (Debatedor).
A linha tem três eixos de abrangência: Antropologia e Literatura - Abrange estudos sobre obras e autores, nacionais e estrangeiros, tanto de literatura ficcional (romances, contos, poesias, crônicas, cartas, diários), como científica e jornalística com destaque para a contribuição ou o papel dessa produção na formação de nosso imaginário cultural e na construção das identidades nacionais. Busca estudar alguns nuances do cenário da cultura brasileira, tendo como referencial básico, as idéias nucleares e o processo criativo de intelectuais que contribuíram com a nossa formação cultural.
Antropologia da Imagem - Abrange estudos sobre as diversas formas de produção de imagens (fotografia, filmes, pinturas, esculturas etc.) e sua relevância na construção de um imaginário social sobre a nossa realidade, bem como sobre nossa formação sócio-cultural.
Antropologia e Sociabilidade – Abrange estudos sobre a complexidade das trajetórias de vida e os desafios para a construção de sociabilidade nas sociedades contemporâneas marcadas pela liquidez das relações sociais.
GRUPO DE TRABALHO 014
Etnografia arriscada: Dos limites entre vicissitudes e “riscos” no fazer etnográfico contemporâneo
Coordenadoras:
Alinne Bonetti (UNICAMP) - alinne.bonetti@gmail.com
Soraya Fleischer (UFRGS) - sorayafleischer@hotmail.com
Desde a sistematização do método etnográfico por Malinowski aprendemos que as vicissitudes e os imponderáveis da pesquisa de campo são partes constitutivas da experiência do antropólogo e do conhecimento que produz. Não raro ouvimos muitas histórias sobre os mais diversos desafios enfrentados pelos pesquisadores, tais como assaltos, ameaças, chantagens, extorsões, guerras, enamoramentos, acidentes, processos de adoecimentos, epidemias contagiosas, entre outros. Aprendemos a lidar de forma intuitiva e experimental com tais imponderáveis, os quais nem sempre constam nas análises. Nesse Grupo de Trabalho propomos reunir trabalhos que visem discutir aqueles imponderáveis e vicissitudes que impliquem em “riscos” para o próprio pesquisador, para o grupo estudado, para a relação entre ambos e/ou para a pesquisa. Observamos que há, atualmente, uma preponderância criminal e biomédica-epidemiológica da categoria “risco” e gostaríamos, por um lado, de desafiar os limites destas preponderâncias e, por outro, explorar e ampliar outras abordagens para o termo. Assim, nossa proposta não é apenas discutir sobre o fazer etnográfico, em seu cunho mais reflexivo e subjetivo, mas sobretudo identificar questões através das quais a Antropologia e o método etnográfico possam se beneficiar teoricamente do diálogo com situações “arriscadas”.
GRUPO DE TRABALHO 015
A Festa na Sociedade Contemporânea
Coordenadoras:
Profª. Drª. Eufrázia Cristina Menezes Santos (UFS) - eufrazia@uol.com.br
Profª Drª Léa Freitas Perez (UFMG)
A festa é uma presença constante e marcante em nossa vida pessoal e coletiva. Suas manifestações marcam os tempos fortes, os momentos culminantes, as alternâncias de ritmo e de intensidade. Mas afinal o que é festa? Em que medida a festa informa-nos sobre a sociedade contemporânea? A festa inscreve-se no tecido social das cidades, produz identidades, estimula ideais estéticos, dita modas. Quando ocorre redefine espaços, proporciona experiências, estimula relacionamentos, faz emergir sua própria cultura, exibe formas, acima de tudo comunica. Como ignorar seu aproveitamento no campo do lazer ou sua transformação em produto turístico em diferentes contextos? Faz sentido falar em banalização da festa? É possível ignorar a crescente industrialização que muitas festas públicas tornaram-se alvo? Nesse contexto torna-se imprescindível perguntar: como as pesquisas etnográficas têm contribuído na compreensão do fenômeno festivo na sociedade contemporânea? As chaves de interpretação fornecida pelas teorias clássicas que abordam o tema da festa conseguem explicar as novas expressões do fato-fenômeno festivo? É sobre essas questões e outras que lhe são solidárias que se acenta o locus desse GT, desde a dupla perspectiva quer etnográfica quer teórica.
GRUPO DE TRABALHO 016
Povos indígenas, projetos e desenvolvimento
Coordenadores:
Dr. Antonio Carlos de Souza Lima (LACED/Museu Nacional-Universidade Federal do Rio de Janeiro) - acslima@superig.com.br
Dra Maria Helena Ortolan Matos (Dept. De Antropologia/Universidade Federal do Amazonas - UFAM)
Esse GT é co-coordenado por Sondra Wentzel (GTZ), Fabio Almeida e Cássio Souza (PDPI-MMA). A elaboração de Projetos indígenas configura-se como relevante item de discussão, tanto para a reflexão acerca dos povos indígenas, quanto para a atuação indigenista aplicada. Dando continuidade ao realizado na IX ABANNE, queremos incentivar a participação indígena tanto pela presença de expositores quanto de debatedores indígenas em todas as sessões. Acolheremos trabalhos que abranjam: a) textos sobre projetos voltados aos povos indígenas e sua interface com políticas públicas: construção e execução de programas de apoio, com suas diretrizes, formas de trabalho, diferentes atores etc.; b) análises etnográficas de projetos executados em comunidades indígenas: descrições, reflexões e interpretações sobre a execução de projetos concretos por comunidades ou organizações indígenas, a rede de relações estabelecidas, as distintas perspectivas de cada um dos atores, os processos sociais e políticos vividos pelas comunidades etc.
GRUPO DE TRABALHO 017
Etnia, Raça e Região: novas abordagens de processos identitários, políticos e culturais contemporâneos.
Coordenadores:
Carlos Guilherme Octaviano do Valle (UFRN) - cgvalle@gmail.com
Vânia Fiallho (UPE;PPGAS/UFPE)
O GT pretende reunir estudos sobre etnicidade, questões raciais e dinâmicas regionais no que concerne os processos identitários, políticos e de formação cultural. Espera-se incluir pesquisas que tenham dados etnográficos voltados à essas temáticas, convergindo abordagens que acabam por definir campos específicos de reflexão. Pretende-se viabilizar um fórum de discussão sobre as temáticas como sendo construídas através de processos simbólicos e culturais, complementada pela abordagem das disputas e estratégias políticas de formação identitária, envolvendo diversos grupos e agências sociais. Deve-se incluir o impacto das políticas e da administração públicas para a emergência e consolidação de direitos coletivos específicos ou para a constituição de formas culturais específicas. Estudos enfocando etnogênese e mobilização étnico-racial; processos e fluxos culturais locais e locais-globais; relações turismo-regionalismo-cosmopolitismo; a interface entre políticas públicas e cultura; a re-emergência da raça como fator explicativo das dinâmicas sociais poderão ser apresentados e debatidos. (143 palavras).
GRUPO DE TRABALHO 018
NOVAS CARTOGRAFIAS DA ANTROPOLOGIA: MEMÓRIAS E NARRATIVAS
Coordenadores:
JANIRZA (Jana) CAVALCANTE DA ROCHA LIMA (FUNDAJ) - jana@fundaj.gov.br
NEUSA MARIA MENDES GUSMÃO (UNICAMP) - neusagusmao@uol.com.br
A proposta que ora se submete a essa Comissão organizadora resulta do esforço continuado de um grupo de professores e pesquisadores que realizaram, em conjunto, outros encontros regionais. (ABANNE, CISO, ABA e ANPOCS). Nesses encontros, o GT adotou vários recortes temáticos, entre eles: Cotidiano e Identidade; Educação e Ensino, Cultura e Identidade, Imaginário e Representações Sociais. Cabe assinalar que em encontros recentes da ABA foi realizado um mini-curso de “Antropologia e Educação” e “Ensino da Antropologia em outros cursos”. Tal fato permite pensar que a Antropologia é hoje, fonte inspiradora de práticas e de reflexões que se realizam fora do campo de sua tradição, os cursos de Ciências Sociais. Assim, torna-se necessário mapear os caminhos de investigação teórica, de natureza crítica, na qual se já possível tomar conhecimento das análises de realidades singulares e específicas que estão sendo produzidas A escolha, portanto, do recorte Memórias e Narrativas para o nosso GT, é no propósito de implementar o diálogo interdisciplinar, responsável e comprometido, que se coaduna ainda, com exigências da contemporaneidade. Por esta razão, a emergência de um debate que permita dimensionar o aparato teórico e metodológico no fazer de outros campos e áreas do saber se faz premente e, constitui a base do que aqui se apresenta como proposta para um re-encontro e ampliação dos outros encontros já realizados pelo GT- Novas Cartografias da Antropologia. Objetiva-se portanto, possibilitar a implementação do diálogo interdisciplinar, sob o recorte Memórias e Narrativas, favorecendo assim a circulação de idéias, paradigmas emergentes, noções e conceitos que subjazem nos trabalhos desenvolvidos no âmbito da região Norte e Nordeste e imprimir uma continuidade à proposta deste GT, posto que o mesmo vem, de maneira sistemática, integrando outros espaços institucionais locais, regionais e nacionais.
GRUPO DE TRABALHO 019
Sistemas de Justiça Criminal e de Segurança Pública, em uma perspectiva comparada: processos de administração institucional de conflitos
Coordenadores:
Roberto Kant de Lima (UFF) - rkant@terra.com.br
Sofia Tiscornia (Universidade de Buenos Aires) - sofiat@fibertel.com.ar
Este Grupo de Trabalho propõe reunir a apresentação de pesquisas empíricas sobre o funcionamento das instituições que conformam o chamado “Sistema de Segurança Pública e de Justiça Criminal”, em seus diferentes níveis municipais, estaduais ou federais, em diferentes estados brasileiros ou em outros países. O debate do GT estará centrado nos processos de administração institucional de conflitos no espaço público, focalizando os atores envolvidos e a natureza dos conflitos administrados pelos agentes do sistema, bem como os mecanismos institucionais e não institucionais de administração dos mesmos. Na seleção das propostas, a perspectiva comparativa será um elemento fundamental por contribuir para o entendimento das diferentes lógicas e valores – legais, morais, econômicos, políticos, entre outros- que orientam os processos de administração institucional de conflitos por parte dos operadores do sistema e das pessoas envolvidas.
GRUPO DE TRABALHO 021
Mulheres, Relações de Gênero e Feminismo no Norte e Nordeste
Coordenadores:
Mônica C. S. Santana (UFS) - monicacss@ufs.br
Márcia Santana Tavares (UNIT-SE) - marciatavares1@gmail.com
O presente grupo terá como base de sua discussão teórica e metodológica os estudos sobre mulheres, relações de gênero e feminismo. As mulheres lutaram por direito a educação, pelo direito ao voto, ao tratamento igual no trabalho e a participação política. As conquistas de igualdade se deram sob fogo cruzado dos mais conservadores que inibiram o reconhecimento público de sua produção científica, artística, literária e limitaram seu poder e representatividade política. Particularmente nos últimos quinze anos, as(os) pesquisadores (es) sobre mulher e relações de gênero têm também questionado o próprio pensamento feminista, diante das profundas e sucessivas transformações no cenário social.
O objetivo desse GT é disseminar reflexões teóricas, metodológicas e epistemológicas (práticas) a partir da perspectiva dos estudos sobre mulheres, relações de gênero e feminismo no Norte e Nordeste do Brasil, de forma a nuançar/destacar continuidades e avanços paradigmáticos no fazer científico.
GRUPO DE TRABALHO 022
IDENTIDADES ÉTNICAS E CULTURIAS
Coordenadores:
Dra. Maria Patrícia Lopes Goldfarb (Antropóloga e professora do Departamento de ciências Sociais da UFPB) - patriciagoldfarb@yahoo.com.br
Dra. Mércia Rejane Rangel Batista (Antropóloga e professora do Departamento de Antropologia e Sociologia da UFCG, campina Grande-PB)
Debatedor:
Dr. Antônio Giovanni G. Boaes (UFPB)
O grupo de trabalho pretende discutir questões relativas a formas de identificação coletiva, isto é, os processos de produção de distinções e especificidades culturais. Para tal, abre-se um espaço de análises dos modos de identificação de diversos grupos culturais: de gênero, de classes, étnicos, religiosos, regionais, etc.; objetivando problematizar os elementos constitutivos das identidades, que são propiciadores de significados e capazes de articular uma visão de grupos sociais de pertencimento.
GRUPO DE TRABALHO 023
A antropologia contemporânea e o diálogo com gênero, reprodução e feminismo: Reflexões sobre a constituição de “novas” demandas
Coordenadores:
Marion Teodósio Quadros (Professora Adjunta da Área de Antropologia da UFPE) - marionteodosio@yahoo.com
Pedro Francisco Guedes do Nascimento (Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) - pedrofgn@uol.com.br
Karla Galvão Adrião - UFSC (Debatedora)
Este Grupo de Trabalho pretende agregar comunicações voltadas ao debate de novas demandas reprodutivas e políticas nos estudos sobre gênero e reprodução, sob a perspectiva feminista. Dentre as novas demandas suscitadas, citamos as questões colocadas pelas novas tecnologias reprodutivas e suas conexões com relações de parentesco, especialmente a paternidade/maternidade, bem como os “novos” sujeitos políticos (nos espaços do movimento social organizado e/ou nos espaços comunitários) que se colocam nas searas do ativismo e seus lugares discursivos a partir dessas demandas. A Antropologia brasileira já tem muito que dizer sobre estas temáticas, entretanto, o debate permanece frutífero e promissor. A proposta é refletir como temas antigos continuam a emergir sob novos contextos, como, por exemplo, homoparentalidade, parentesco e afeto em famílias reconstituídas, entre outros, e o diálogo com o campo jurídico. Interessa-nos estudar as interfaces entre estas temáticas preferencialmente, a partir das pesquisas de campo de cada proponente.
GRUPO DE TRABALHO 024
Antropologia Visual
Coordenadores:
Renato Athias (UFPE) - renato.athias@gmail.com
Selda Vale da Costa (NAVI/UFAM)
Uma fotografia, um vídeo, um programa de televisão nada mais é que fragmentos de uma realidade representada. Sabemos que nenhuma imagem é um espelho “virgem”, pois já se encontra nela o reflexo do espectador e do produtor. Na realidade, as imagens são textos culturais elaborados no cotidiano nas relações sociais de um determinado grupo social. Nestes últimos anos o campo disciplinar da Antropologia Visual nas instituições de Ensino e Pesquisa no norte nordeste tem crescido. No âmbito do Brasil a consolidação da disciplina é um fato com vários laboratórios e inúmeros eventos já realizados. A imagem como uma linguagem representa uma expressão importante na construção dos discursos e na elaboração das narrativas que fazem parte de grupos sociais específicos. O aspecto textual de um discurso visual fica na zona de intersecção das respectivas competências dos dois elementos já citados. A análise do discurso e a semiologia, com suas características e o visual propriamente dito são terrenos absolutamente indispensáveis para o conhecimento antropológico. Portanto, a visualidade antropológica não é somente uma nova linguagem e, um novo circuito de comunicação, uma narrativa, é também um depositário da poética e determina uma política de imagem. Nessa relação encontra-se a veracidade dos registros e as contradições existentes nas realidades visualidades. Este grupo de trabalho pretende desenvolver um debate sobre as questões teóricas e metodológicas do conhecimento das técnicas de produção de imagens e som. Reconhecidamente esse dois componentes fazem parte da na narrativa e do discurso antropológico. Este debate visa contribuir para o fortalecimento da área de antropologia visual a partir das realidades do norte e do nordeste Brasil. Nesse sentido, esse debate, pretende estruturar um espaço para uma reflexão crítica sobre a formação e produção de conhecimento no campo disciplinar da antropologia visual.
GRUPO DE TRABALHO 026
RITMOS DA IDENTIDADE: Música, Territorialidade e Corporalidade
Coordenadores:
Carlos Benedito Rodrigues da Silva (UFMA) - carlosbene@terra.com.br
Arivaldo de Lima Alves (UNEB) - arilima.2004@uol.com.br
Socialização e discussões de pesquisas concluídas ou em andamento, enfocando a música e ritmos, como elementos de mobilização coletiva, redefinição de identidades e construção de novas performances e linguagens corporais; enfoques sobre diversidade rítmica e cultural das diversas regiões brasileiras, e suas imbricações com movimentos musicais veiculados pelos sistemas midiáticos.
OBJETIVO
A proposta é analisar as influências provocadas pelos movimentos musicais, veiculados pelos sistemas midiáticos em contextos culturais regionalizados. Mesmo em regiões com forte apelo de tradições culturais, como é o caso do Norte/Nordeste, ocorre um movimento de trocas entre os repertórios da cultura tradicional e os conteúdos diversificados, ofertados pelos sistemas midiáticos. Este embricamento apresenta situações diversas, possibilitando delimitação de territórios, deslocamentos e redefinições das identidades, além de ampliar também as possibilidades de ressiginficação das tradições. O objetivo do GT é ampliar discussões sobre esse tema, entre estudiosos de diversas regiões abordando a música como elemento de mobilização coletiva, construção de novas performances e linguagens corporais.
GRUPO DE TRABALHO 027
Trazendo à Luz as Autonomias Indígenas Contemporâneas no Brasil
Coordenadores:
Prof. Dr. Stephen Baines (UnB) - stephen@unb.br
Prof. Dr. Odair Giraldin (UFT) - pembkre@hotmail.com
A partir da nova Constituição Federal de 1988 e a instituição do denominado 'estado democrático de direito', o cenário do indigenismo no Brasil - já marcado pelo surgimento das primeiras organizações pan-indígenas e pela crescente visibilidade dos índios no cenário político - altera-se radicalmente, consolidando ao longo da década de 1990 suas novas características, baseadas na fragmentação da face do Estado. O surgimento de um campo dialógico – ou de interlocução - entre povos e organizações indígenas e as novas agências do estado e sociedade civil ocupadas com a questão indígena; a criação e consolidação de uma 'linguagem de direitos' (inclusive com a criação de mecanismos institucionais, como p. ex. as novas atribuições constitucionais do ministério público) como 'medium' por excelência desse diálogo; e a criação de uma 'comunidade de argumentação e comunicação' que consolida-se na década de 1990, tendo por agentes, não membros 'esclarecidos', mas a 'pressão dialógica' de lideranças indígenas. A esta nova configuração das relações entre Índios e Estado/sociedade civil pode-se denominar 'autonomia indígena', uma situação cada vez mais presente nas relações entre povos indígenas e o estado e sociedade civil no Brasil, ao contrário do que prega hoje o discurso 'oficial' da FUNAI e de indigenistas 'oficiais', para os quais 'autonomia' é um projeto de relações institucionais a que (talvez) os índios tenham acesso em um futuro não especificado, como uma concessão do Estado. Este GT tem por objetivo trazer á luz estas novas formas de relações entre povos indígenas e Estado/sociedade civil – ou seja, autonomias indígenas – em seu cotidiano de já quase duas décadas de atividade. Busca reconhecer explicitamente o protagonismo do movimento indígena na criação de Autonomias Indígenas que a agência indigenista federal aparentemente tenta usurpar. Serão bem-vindos trabalhos que abordam aspectos deste processo ressaltado acima.
GRUPO DE TRABALHO 028
Antropologia, políticas públicas e questão fundiária quilombola
Coordenadores:
Rui Leandro da Silva Santos (INCRA) rui.santos@incra.gov.br
Eliane Cantarino O’Dwyer (Universidade Federal Fluminense)
Alba Lucy Giraldo Figueroa (INCRA) - Debatedora
A partir de direitos conquistados expressos na Constituição Federal de 1988, criaram-se novas políticas públicas para os remanescentes das comunidades dos quilombos, tanto rurais quanto urbanos. Este GT tem o objetivo de proporcionar o diálogo e a troca de experiências e de informações (fundamentados em estudos de caso) entre pesquisadores antropólogos que atuem em políticas públicas relacionadas a essas comunidades tradicionais negras, tanto do Brasil como da América Equatorial. Temas como acesso a políticas públicas, marcos legais e seus desdobramentos, regularização fundiária, múltiplas expressões da territorialidade, situações de conflito e experiências de gestão e auto-gestão do território e dos recursos naturais poderão ser os motes para um diálogo propositivo de caminhos futuros.
GRUPO DE TRABALHO 029
Etnologia e entohistória indígena
Coordenadores:
Prof. Dr. Edwin Reesink (UFBA) reesink@ufba.br
Prof. Dr. José Augusto Sampaio (UNEB)
A etnologia indígena e a etnohistória dos povos indígenas estão cada vez mais presente no Nordeste e no Norte do país e com uma crescente produção antropológica. As duas áreas tendiam a serem consideradas em separado mas cada vez mais se vê o imperativo e a utilidade de juntar todas perspectivas que pesquisam aspectos das culturas e povos indígenas. Este GT pretende abrir espaço para todas as pesquisas atuais -- desde históricas, etnohistóricas, de etnicidade e 'contato', e antropólogicas em todos os sentidos -- para que haja uma avaliação do estado atual da pesquisa antropológica com povos indígenas e se integrem as diversas perspectivas e tipos de pesquisas.
GRUPO DE TRABALHO 030
CRISTIANISMO: FRONTEIRAS E INTERAÇÕES
Coordenadores:
Prof. Dr. José Rodorval Ramalho
(Departamento de Ciências Sociais e Mestrado em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe) - jrodorval@uol.com.br
Prof. Dr. Carlos Eduardo Sell
(Departamento de Sociologia e Ciência Política e Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina) - sell@cfh.ufsc.br
As religiosidades cristãs sempre foram dominantes no campo religioso brasileiro, desde o domínio original do catolicismo e suas variantes, até expressões as mais diferenciadas de protestantismo, passando por grupos que contêm alguns elementos cristãos, como são os casos das Testemunhas de Jeová, Mórmons e adventistas.
Esse lugar simbólico ocupado pelo cristianismo é marcado por vários contatos, nem sempre pacíficos, com múltiplas formas de religiosidade, institucionalizadas ou não, entre elas: movimento Nova Era (New Age), espiritismo, afro-descendentes, islamismo e budismo.
O objetivo deste GT será o de identificar e discutir as formas de ação e de contato entre o cristianismo e outras expressões religiosas do campo religioso brasileiro.
GRUPO DE TRABALHO 031
Cultura Popular, Patrimônio Imaterial e Cidades
Coordenação: Prof. Dr. Sérgio Ivan Gil Braga (UFAM);
Profa. Dra. Luciana Carvalho (Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN)
Debatedor: Prof. Dr. Ulisses Neves Rafael (UFSE);
O GT propõe a troca de experiências de estudos acerca das práticas de cultura popular em cidades brasileiras, com vistas a identificar lugares, modos de fazer, formas de expressão artística, de sociabilidade, de promoção desse conhecimento. Pretende discutir trajetórias e experiências de mestres da cultura popular, a circulação desses e de outros sujeitos na cidade, favorecendo a criação de novas centralidades urbanas e “circuitos” que têm como referência tais práticas, não raro denominadas de “folclore”. Um conceito para abordagem dessas manifestações é o de patrimônio imaterial, que faz referência a “conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades”, “celebrações, manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas”, “lugares”, como “mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas”, resumidos não raro em eventos, na medida que representam diferentes formas de apropriação da cidade. A natureza ritual dessas manifestações poderá ser enfatizada no GT.
GRUPO DE TRABALHO 032
SERTÂO... SERTÔES: IDENTIDADES, IMAGENS E NARRATIVAS
Coordenadoras:
Emília Pietrafesa de Godoi (UNICAMP)
Maria Dione Carvalho de Moraes (UFPI)
Na esteira da clássica oposição/classificação litoral/sertão na qual se dá a nomeação de espaços naturais, sociais, simbólicos, nacionais e regionais, um debate que para muitos pode parecer datado sempre surpreende, com inusitado vigor – seja na literatura, nas ciências sociais, no cinema – interpelando-nos, no processo de construção de identidades. Sem dúvida, é indiscutível a importância da categoria sertão tanto em suas dimensões histórico-geográfica, política, no tocante à cultura material, a modos de vida, formas históricas de organização, resistência e sobrevivência, a práticas econômicas, quanto em sua dimensão simbólica, nas práticas religiosas, artísticas, étnicas, de gênero, de gerações, nas relações rural/urbano, assim como nas ideologias e utopias relacionadas a processos de mudanças sociais nesse espaço constantemente deslocado ao longo da nossa história, empurrado cada vez mais para o interior do país, em cujo processo, no entanto, ocorrem ressignificações. Por exemplo, pergunte-se: qual a diferença entre os discursos de “combate à seca” e o da “convivência com o semi-árido”? o que aproxima o Caldeirão do beato Lourenço e Canudos de Conselheiro? E sobre a riqueza metafórica dos encontros poético-sonoros entre seres do sertão e outros seres, linguagens e espaços? Uma poética do sertão, não mostra ela que o mesmo sertão da vingança, do cangaço, e do messianismo, é também o que festeja, dança, brinca? E quanto aos sertões de outras paragens nordestinas – como as áreas de cerrados – e brasileiras? Sem dúvida, há um número significativo de pesquisadore/as afinado(a)s com essas e outras temáticas relacionadas ao sertão/Norte/Nordeste/Brasil, e a X REUNIÃO DE ANTROPÓLOGOS DO NORTE E DO NORDESTE, e I REUNIÃO EQUATORIAL DE ANTROPOLOGIA constituem-se em um espaço privilegiado para apresentação e debate de trabalhos de pesquisa que as abordem, em suas implicações empíricas, teóricas e metodológicas. Nesse sentido, o Grupo de Trabalho “SERTÂO... SERTÔES: IDENTIDADES, IMAGENS E NARRATIVAS” pretende ser um lugar de encontro de pesquisadore(a)s, em diversos níveis – professore(a)s e estudantes de programas de pós-graduação de Antropologia, Sociologia, História, Letras, Artes, dentre outras áreas de conhecimento, afins, estimulando o debate, numa perspectiva interdisciplinar, inclusive, despertando o interesse dentre novos/as pesquisadore/as pela temática. O crivo é o de identidades, imagens e narrativas, estas, tomadas como constructos sobre sertão, esse objeto que se define não apenas geográfica, histórica, regional, política, mas também cultual e simbolicamente, em suas significações e re-significações e que nos leva a buscar identificar, desconstruir e redescobrir significados de sertão, Brasil afora e adentro.
GRUPO DE TRABALHO 033
Religiões e manifestações culturais afro-descendentes: trânsitos entre a história e a antropologia em busca de saberes e práticas
Coordenadores:
Hippolyte Brice Sogbossi (UFS) - hbs1@tutopia.com.br
Ivaldo Marciano de França Lima (UFF) - ivaldomarciano@yahoo.com.br
Debatedor:
Prof Dr. Roberto H. Seidel (UEFS- BA.) - r.h.seidel@gmail.com
Este GT terá como um de seus principais objetivos a discussão em torno de trabalhos que abordem a historicidade e as recentes pesquisas antropologicas sobre as religiões afro-descendentes, bem como as manifestações culturais a elas associadas. Trata-se de buscar (e incentivar!) o diálogo entre antropologos e historiadores que tenha como foco principal pesquisas sobre as religiões afro-descendentes no intuito de propiciar a constituição de novas redes de trabalho. Os estudos em torno das religiões e manifestações culturais afro-descendentes estão colocados diante de novos problemas teórico-metodologicos que devem ser enfrentados, a exemplo das dificuldades no campo (recusas de entrevistas, discussões éticas sobre os depoimentos dos informantes dentre outros). Entendemos que os trânsitos entre a antropologia e a história constituirão excelente oportunidade para o encontro de novas respostas aos desafios colocados.
| Informações: (79) 2107-8585 |